Director Carlos Rosado de Carvalho

PR JLo, porquê tanta volta para obter as contas das empresas públicas?

PR JLo, porquê tanta volta para obter as contas das empresas públicas?

As contas da TAAG fazem a manchete e têm honras de destaque do Expansão desta semana.

Não é caso para menos. Que eu saiba - corrijam-me se estiver errado - é a primeira vez que um relatório e contas da companhia de bandeira é divulgado por um jornal. Parece mentira, mas é verdade. A TAAG não presta contas aos seus accionistas, no caso os contribuintes. Se o Estado é accionista da empresa, aliás o único, os contribuintes são indirectamente os únicos accionistas da companhia.

O leitor não faz ideia do trabalhão que deu arranjar o relatório e contas da TAAG.

Tudo começou com os prémios Sirius 2018 da Deloitte, revelados em Novembro, cujo júri elegeu o relatório e contas da TAAG de 2017 como o melhor do sector não financeiro.

A minha primeira reacção ao ter conhecimento do prémio foi de estranheza. Como é possível a TAAG, de quem eu nunca vi um relatório e contas, ter ganhado o prémio?

A segunda reacção foi de autocrítica. Devemos andar distraídos. Se calhar a companhia publicou o relatório e contas e o Expansão, ao contrário do que era sua obrigação, não deu conta.

A terceira reacção foi de alívio. Uma rápida investigação - que começou com visita ao site da companhia seguida de uma série de telefonemas e de emails para os departamentos de comunicação da própria da TAAG, dos ministérios de tutela, Finanças e Transportes, e do INAVIC, entidade supervisora da aviação civil - confirmou que a companhia não tinha publicado o relatório premiado.

A quarta reacção foi de estupefacção. Como é possível o relatório e contas de uma empresa pública que nunca foi divulgado publicamente ganhar um prémio? Pior. Como é possível a TAAG dar o relatório e contas para um prémio e não o divulgar para os seus accionistas, isto é os contribuintes?

A quinta não foi reacção foi acção. Tentar obter o relatório e contas da TAAG que ganhou o prémio Sirius. Aí começaram as voltas. A empresa e as entidades que a tutelam ou recusaram dar o relatório premiado ou empurraram para o vizinho do lado ou, simplesmente, não responderam aos pedidos do Expansão.

O Expansão não desistiu e, pela "porta do cavalo", lá obteve o relatório que divulga nesta edição.

Termino com uma pergunta ao PR JLo: O que é feito da promessa, na sua estreia, no discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional (AN), em 16 de Outubro de 2017, segundo a qual iria "instruir os membros do Executivo no sentido de prestar regularmente conta da sua actividade aos destinatários da nossa acção, os cidadãos angolanos".

Presidente JLo. Promessa é dívida. O Expansão vai continuar a cobrar a promessa.


Editorial da edição n.º 510, de 8 de Fevereiro de 2019, já disponível em papel ou em versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui.

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