Director Carlos Rosado de Carvalho

O lado positivo da desvalorização do kwanza

O lado positivo da desvalorização do kwanza
Foto: Bruno Fonseca

A queda do preço do petróleo que começou em meados de 2014 afectou significativamente a economia angolana, reduzindo substancialmente as exportações e as receitas fiscais, penalizando o crescimento económico e acelerando a inflação. Isto trouxe à tona a necessidade de abordar com maior vigor a dependência de Angola face ao petróleo e de adoptar um novo paradigma nas políticas fiscal e monetária.

Numa situação de crise, se a política fiscal utilizar medidas de austeridade, acompanhadas de uma desvalorização a um nível adequado, a política cambial pode evitar a insolvência do Estado. Como Angola exporta praticamente um único produto e tem um regime cambial "fixo", uma desvalorização do Kz não significa um aumento da competitividade e, consequentemente, das exportações conforme a ciência económica indica, mas implica um aumento das receitas públicas em moeda nacional.
Para Angola, a melhor politica cambial a ser implementada pelo Banco Central depois de uma queda do preço do petróleo seria permitir uma desvalorização do Kz. Com o Kz mais fraco, o preço do petróleo em moeda nacional manter-se-ia alto.
Assumindo que as receitas do Tesouro provêm apenas do petróleo e que elasticidade preço das receitas é 1 (um), um aumento em 1% no preço do petróleo originaria um aumento das receitas públicas em 1%. Assim, como o dólar valorizou cerca de 30% de cerca de 166 Kz para os actuais 215 Kz, isso significa que o preço do petróleo em moeda nacional também aumentou cerca de 30% - em rigor terá aumentado mais porque entretanto o preço do petróleo em USD também aumentou.
*Economista

(Leia o artigo na integra na edição 467 do Expansão, de sexta-feira 06 de Abril de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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