A solidão dos líderes nas organizações

A solidão dos líderes nas organizações
Foto: D.R.

Na famosa peça sobre a história do Rei Henrique IV de Inglaterra, Shakespeare escreve que "inquieta é a cabeça que usa a coroa...".

Na realidade o desconforto de que fala Shakespeare é hoje um tema muito actual no mundo empresarial, existindo vários estudos que apontam para a solidão dos líderes das grandes organizações como um dos principais factores que limitam o seu desempenho. Em 2012, por exemplo, um estudo da Harvard Business Review afirmava que mais de 50% dos CEOs americanos identificavam este factor como uma das principais limitações da sua função.

Convém, no entanto, fazermos uma distinção preliminar muito importante: solidão não significa ausência de pessoas ou que estamos sozinhos. É facilmente aceite que os grandes líderes do mundo empresarial estão sempre rodeados de pessoas, sejam colaboradores, stakeholders ou no limite a imprensa. Vivemos num mundo cada vez mais conectado, onde o conceito de privacidade nunca esteve tão pouco protegido, e, no entanto, como é possível que eles se sintam cada vez mais sós?

Existem várias correntes de opinião sobre a origem desta solidão que vem com os lugares de maior poder, mas no limite as principais razões são relativamente fáceis de explicar: até atingir as posições de topo nas organizações, estes executivos diferenciaram-se dos demais pares, apresentando melhores ideias e melhores resultados pelo seu individualismo, e, portanto, este é o preço a pagar pelo seu sucesso. Por outro lado, e quem já exerceu funções de liderança percebe bem este ponto, um líder é obrigado a manter alguma distancia emocional da sua equipa para poder tomar as decisões certas. As boas práticas de liderança implicam equidistância dos colaboradores, frieza nas decisões sobre pessoas, e capacidade de galvanizar equipas nos momentos estratégicos. A experiência diz-nos que estas competências fundamentais de um líder são incompatíveis com muita proximidade ou relações de amizade dentro de uma organização.

É então esta uma condição que todos os líderes têm que aceitar? - Naturalmente que não, pois ao procurar aconselhamento de assessores seniores bem escolhidos, estes líderes podem evitar erros dispendiosos que resultam de liderar no vácuo.

*Senior Advisor

(Leia o artigo integral na edição 622 do Expansão, de sexta-feira, dia 30 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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