"O INE teve situações em que a sua independência estava comprometida. Hoje é diferente"
A sua entrada no INE trouxe alterações profundas aos relatórios, que hoje espelham um país muito diferente, com melhorias substanciais no quadro macroeconómico. Isso vale-lhe muitas críticas já que especialistas dizem que afinal a diversificação económica estava nas folhas de excel do INE. Refuta as acusações e convida os críticos a apresentarem os seus números.
Assumiu os destinos do INE em Março de 2025, enquanto diretor-geral, e depois, com a entrada em vigor do novo Estatuto Orgânico do INE, passou a PCA já este ano. A sua entrada coincide com uma data de alterações metodológicas a vários relatórios da instituição. Quais são os principais desafios que encontrou aqui?
Ao chegar ao Instituto Nacional de Estatística, encontrei vários desafios, desde questões meramente de capital humano, do ponto de vista das condições de trabalho, as próprias instalações, não somente aqui na sede, mas também nos serviços provinciais do INE. E também questões que têm a ver com a credibilidade da instituição. E, quando falamos da credibilidade, é sobretudo do ponto de vista do cumprimento das metodologias ou dos padrões internacionalmente aceites.
Demoraram muitos anos a actualizar?
Não fazíamos esse trabalho de actualização. Só para ter uma ideia, as Contas Nacionais que nós produzíamos até ao ano passado tinham como ano de referência o ano base de 2002. E o manual que era utilizado como referência metodológica é o manual de 1993. Ora bem, certamente que a fotografia que nós estávamos a mostrar à população não era uma fotografia correcta, porque em 2002 o país acabava de sair de uma guerra, de um conflito armado.
Basicamente havia só petróleo...
Sim. Por isso é que, durante esse tempo, nós nos habituámos a ver o petróleo a representar 30% do PIB, porque o ano base era de 2002. Então, certamente que aquela estatística estava desfasada, estava muito distante daquilo que é a realidade económica do país. O que fizemos foi acelerar o trabalho, que, na verdade não fui eu que comecei, este trabalho já estava a ser feito, apenas vim concluir o trabalho e divulgar os resultados. Ora bem, o sector dos petróleos que nós medíamos em série dessas Contas Nacionais não era petróleo propriamente dito. Tudo o que era prestação de serviços na indústria petrolífera também estava aí no petróleo. Então, o que fizemos foi arrumar a nossa matriz. E, quando falamos do sector petrolífero, são as actividades meramente de produção, ou extracção, vamos assim dizer, exactamente, e refino de petróleo.
E as outras actividades que antes estavam no petróleo?
O resto foi para os serviços e para os outros sectores, de acordo com a classificação das actividades económicas. Depois, sectores como a agricultura estavam subavaliados, porque em 2002, o ano de base, certamente que a agricultura do país não tinha exactamente o pulmão e a força que tem hoje. Então, tivemos de fazer esse trabalho todo. Publicámos as estatísticas de acordo com o novo ano de referência, porque nós deixámos de ter o ano de referência 2002 e passámos a ter o ano de referência 2015. Na altura, o ponto de partida da agricultura deixou de ter um peso mais ou menos de 7% ou 8%, passou a ter de 12%. O petróleo, que era 20% e tal, quase 30%, baixou para 16%. E o comércio aumentou para 14%. Se notar, de 2013 até 2024 ou 2025, o sector do petróleo, com excepção de um ano, que é 2015, só esteve em recessão...











