Petróleo afunda com perspectiva de reabertura de Ormuz e regressa abaixo dos 100 USD
O petróleo voltou a negociar abaixo da barreira psicológica dos 100 USD por barril, depois de os mercados reagirem com oPtimismo aos sinais de avanços nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão. Apesar de o conflito no Médio Oriente ainda não ter terminado, os investidores mostram-se mais confiantes quanto à possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de crude.
Os preços do crude chegaram a afundar mais de 6% esta segunda-feira, embora tenham recuperado ligeiramente ao longo da sessão. Ainda assim, registaram mínimos de duas semanas, num movimento marcado por maior confiança dos mercados, mas também por alguma cautela em torno de um eventual acordo de paz.
Perto das 08h00 de Luanda, os futuros do Brent, referência para as exportações angolanas, recuavam 5,1 USD ou seja, 4,9% para 98,5 USD por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, negociava nos 91,4 USD, uma queda de 5,2 dólares, equivalente a 5,4%. Ambos os contratos atingiram os níveis mais baixos desde 7 de maio no arranque da sessão.
Apesar da correção, o petróleo continua bastante acima dos 61 USD por barril previstos no Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano. O documento estima um défice orçamental de 3,8 biliões de kwanzas, equivalente a 2,8% do PIB. Neste contexto, preços internacionais mais elevados continuam a representar um reforço das receitas petrolíferas e maior margem financeira para o Estado.
Contudo, a valorização do crude também acarreta riscos para a economia angolana. O aumento dos preços da energia tende a desacelerar a actividade económica global e a agravar as pressões inflacionistas internacionais, efeitos que acabam por repercutir-se em Angola, fortemente dependente das importações para abastecimento do mercado interno.
Além disso, os combustíveis continuam parcialmente subvencionados pelo Estado, através da Sonangol, o que significa que preços internacionais mais elevados aumentam a pressão sobre as contas públicas e podem reduzir parte dos ganhos adicionais obtidos com a subida do petróleo.
No sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump afirmou que Washington e Teerão tinham "em grande parte negociado" um entendimento visando um acordo de paz que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável pelo transporte de cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.
"Apesar de todas as reservas e riscos que permanecem em torno do acordo de paz e da situação no Estreito de Ormuz, começa a surgir alguma luz ao fundo do túnel, o que poderá trazer algum alívio de curto prazo aos preços do petróleo", afirmou o analista da MST Marquee, Saul Kavonic.
Ainda assim, persistem divergências significativas entre as partes. No domingo, Trump admitiu que instruiu os representantes norte-americanos a não acelerarem a conclusão de qualquer entendimento.
Os analistas alertam, por outro lado, que mesmo num cenário de acordo, o regresso à normalidade no fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz poderá demorar vários meses, devido aos danos registados em infraestruturas petrolíferas e de gás natural da região.











