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Angola

Angolanos apostaram mais de 103 milhões Kz/dia em "fichas"

I TRIMESTRE DE 2026

As apostas online estão em queda no País, numa altura em que a degradação das condições sociais empurra cada vez mais pessoas para o jogo como esperança de mudar de vida, num golpe de sorte. Especialistas apelam à prudência para evitar que o passatempo se torne numa catástrofe familiar.

No primeiro trimestre de 2026, os angolanos apostaram 9,3 mil milhões de Kz, cerca de 10 milhões de dólares, em jogos sociais de base territorial, popularmente conhecidos como "fichas". Os dados, compilados pelo Expansão com base em informação do Instituto de Supervisão de Jogos (ISJ), revelam uma média diária de mais de 103,1 milhões de Kz apostados. Durante o mesmo período, o volume de apostas em "fichas" cresceu 57,5% face aos 5,9 mil milhões de Kz dos primeiros três meses de 2025. Estes números não incluem as apostas online (jogos remotos em linha), nem as apostas feitas nos casinos (jogos de fortuna ou azar).

Este é um fenômeno que acontece funda mentalmente nas cidades, sendo que em Luanda já é visto com alguma preocupação face aos problemas sociais que está a gerar. Já para as apostas online, que têm vindo a perder terreno, os angolanos gastaram no primeiro trimestre 408,2 milhões de Kz.

Em comparação com o período homólogo, houve uma queda abrupta de 96%, menos 10,2 mil milhões Kz. Em termos globais, as apostas online e as "fichas" somaram 9,7 mil milhões Kz em volume bruto apostado, que extrapolado de forma simples, significam 40 mil milhões Kz/ano.

Este afundanço das apostas remotas representa um movimento paradoxal perante o crescimento das bets no mundo, que conquista cada vez mais adeptos com a expansão dos serviços digitais, da internet e dos smartphones.

Em Angola, tudo indicava que o domínio das apostas em plataformas na "net" era apenas uma questão de tempo, até porque, em 2025, no primeiro trimestre, o segmento superou os boletins de apostas e foi responsável pelo forte crescimento do sector dos jogos no País.

No entanto, os dados dos nove meses seguintes de 2025 e destes primeiros três meses de 2026 do ISJ revelam o regresso em força das "fichas", indicando que os apostadores angolanos ainda preferem conviver com dinheiro físico em vez do dinheiro digital das carteiras móveis (mobile money). As justificações podem estar na baixa literacia financeira das populações para operar com carteiras digitais ou lidar com a sofisticada internet banking...

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