Universidades angolanas querem entrar na rede científica mundial
A iniciativa promete modernizar o ensino superior e acelerar a investigação académica, mas enfrenta um sistema ainda marcado por falhas de conectividade, baixa literacia digital e plataformas científicas inoperacionais. Muitas instituições continuam sem condições tecnológicas básicas para acompanhar a transformação.
O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) pretende integrar as universidades e centros de investigação angolanos numa rede digital académica internacional, através do projecto Rede Nacional de Ensino e Investigação de Angola (AngoREN), uma infraestrutura tecnológica avaliada em 25 milhões USD.
A iniciativa visa ligar inicialmente 11 universidades públicas à internet académica de alta velocidade e, numa segunda fase, integrar Angola na rede regional Ubuntu Net Alliance, que conecta milhões de estudantes e investigadores em África e no mundo. Contudo, o projecto nasce num contexto marcado por fragilidades tecnológicas profundas no ensino superior, desde falhas de energia e cibersegurança até à incapacidade de manter plataformas científicas básicas em funcionamento.
O governo pretende transformar a AngoREN numa espécie de "espinha dorsal digital" do sistema de ensino superior e científico nacional. O projecto está orçado em 15 milhões USD para a implementação da rede e mais 10 milhões USD para a componente de transformação digital das instituições académicas. Numa primeira etapa, serão integradas 11 universidades públicas localizadas em Luanda, Benguela, Huambo, Malanje, Lunda-Norte e Lunda-Sul, com destaque para a Universidade Agostinho Neto, Universidade Katyavala Bwila, Universidade 11 de Novembro, Universidade Lueji A"Nkonde, Universidade Kimpa Vita, Universidade José Eduardo dos Santos e Universidade Mandume ya Ndemufayo, consideradas instituições-piloto.
A lógica do projecto passa primeiro por consolidar uma rede nacional de investigação e ensino, interligando universidades, bibliotecas virtuais e centros científicos angolanos numa única infraestrutura digital. Só depois desta fase concluída é que Angola deverá aderir à UbuntuNet Alliance, organização que agrega 16 redes nacionais de investigação e educação da África Oriental e Austral e que permite ligação a mais de um milhão de instituições, 3,5 milhões de estudantes e centenas de grupos de investigação internacionais.
Na prática, a adesão a esta rede poderá permitir às universidades nacionais acesso mais rápido a bases de dados científicas, bibliotecas digitais, plataformas de ensino à distância, projectos internacionais de investigação e cooperação académica com instituições africanas e ocidentais. Trata-se de um modelo já consolidado em vários países, onde a investigação científica depende cada vez mais da capacidade de partilha massiva e instantânea de dados. O MESCTI procura inspiração em modelos regionais e internacionais já testados, como a ZamREN, criada em 2007 e operacional desde 2012, a EthERNet, consolidada a partir de 2009, e ainda a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), considerada uma das redes académicas mais desenvolvidas da...











