"Valorizar a fotografia também passa por compreender o seu peso económico e cultural"
Motivada a captar não apenas um registo bonito, mas também a pessoa, a imagem e o que ela precisa de comunicar, a maquilhadora, fotógrafa e empreendedora Luissandra Carvalho defende que a fotografia também devia ser discutida enquanto indústria, profissão, património, comunicação e actividade económica, porque está em tudo aquilo que um País utiliza para construir a sua imagem.
Na semana em que celebramos o Dia Mundial da Fotografia, temos uma fotógrafa que entrou para o ramo devido à procura constante por novas formas de comunicar através da imagem. Conte-nos como foi esse processo?
A fotografia não é algo que planeei; apareceu como consequência do meu percurso. Fui maquilhadora durante muitos anos e, enquanto trabalhava com mulheres, fui percebendo que não bastava fazer uma boa maquilhagem. A maneira como a mulher era fotografada, a luz, o ângulo, a postura e a maneira como ela se via naquela imagem mudavam completamente o resultado. Foi assim que entrei no mundo da fotografia, há cinco anos. Hoje, olhando para trás, vejo que não abandonei necessariamente uma profissão para começar outra, apenas acrescentei conhecimento ao que já sabia fazer.
De entre as várias formas de fotografar, por que razão escolheu captar o retrato feminino e corporativo?
Gosto de fotografar pessoas. Não tenho muito interesse em simplesmente criar uma fotografia bonita. O que me motiva é a combinação entre a pessoa, a imagem e aquilo que precisamos de comunicar através dela, ou seja, interessa-me perceber quem está à minha frente e o que aquela fotografia precisa de comunicar sobre essa pessoa. O retrato feminino veio naturalmente, porque trabalhei durante muitos anos com mulheres e conheço as inseguranças que elas levam para uma sessão fotográfica. Muitas chegam a dizer que não são fotogénicas, que não gostam de determinada parte do corpo, que não sabem posar, etc. E sei que, muitas vezes, o problema não está nelas, mas sim na forma como foram fotografadas.
De que maneira a fotografia pode contribuir para a construção da imagem pessoal e profissional de uma pessoa e de uma instituição?
Antes de alguém nos ouvir falar, muitas vezes já viu uma fotografia nossa. Uma fotografia pode ser o primeiro contacto de um cliente com um profissional, de um investidor com uma empresa ou até de um cidadão com uma instituição. Por isso, a fotografia profissional não é apenas estética. Quando fotografo alguém para fins corporativos, preciso de perceber quem é essa pessoa, qual é a sua função, onde aquela fotografia será utilizada e o que precisa de comunicar. O mesmo acontece com uma instituição. Se existe um posicionamento institucional muito forte mas as imagens utilizadas não acompanham esse posicionamento, existe uma quebra na comunicação.
Como consegue alinhar a direcção de imagem, fotografia e posicionamento de uma pessoa e de uma instituição?
Eu procuro entender antes de fotografar. Quem é essa pessoa? O que faz? Para quem comunica? Onde as fotografias serão utilizadas? Como quer ser percebida e, principalmente, essa percepção corresponde àquilo que ela realmente entrega? Porque posicionamento não é inventar uma personagem. A partir daí entram a roupa, o cabelo, a maquilhagem, o cenário, a luz, a expressão, a postura, o enquadramento e a direcção. Numa instituição, o princípio é semelhante, mas é preciso respeitar também a identidade da própria organização.
Para si, mais do que ensinar uma profissão, as pessoas devem transformar a trajectória, o trabalho, o conhecimento, a experiência e a identidade em valor. Porquê?
Quando uma pessoa consegue perceber aquilo que sabe, aquilo que faz bem e o problema que consegue resolver para outra pessoa, começa também a perceber o valor que pode criar a partir disso. Porque nós sabemos muito mais do que aquilo que aprendemos formalmente. Por exemplo, tudo o que aprendi enquanto empresária, maquilhadora, fotógrafa, entre outras funções, não desapareceu quando comecei uma nova profissão. Às vezes, uma pessoa olha apenas para a profissão que exerce naquele momento e esquece-se de tudo aquilo que sabe fazer, do que viveu e de todos os problemas que já aprendeu a resolver. E existe valor aí. Hoje, quando trabalho com mentoria, não estou a transmitir apenas aquilo que li num livro. Estou também a organizar e a transformar em conhecimento mais de duas décadas de experiência profissional e...
















