Omatapalo requalifica praças que estavam ocupadas por negócios privados
Economistas e urbanistas sublinham que a requalificação dos largos pode dinamizar o comércio local, atrair pequenos negócios e fomentar actividades culturais e recreativas. Muito património público, que esteve sob gestão privada mais de 20 anos, está a ser resgatado pelo Governo Provincial de Luanda.
A empresa Omatapalo - Engenharia e Construção, S.A. está a executar obras de requalificação em vários largos e praças de Luanda, resgatados desde o ano passado, pelo Governo da Província de Luanda (GPL), após décadas sob gestão privada. A iniciativa visa devolver o património público à população. Nalguns casos esse património foi ocupado por privados, que, com iniciativas de exploração comercial, o tornaram inacessível a uso comunitário.
O programa de recuperação do património público é coordenado pela Comissão Multissectorial para a Conformação das Irregularidades na Exploração do Património Público, liderada pelo vice-governador para o Sector Económico, Jorge Miguêns Augusto. O objectivo é recuperar infraestruturas públicas "indevidamente concessionadas" e garantir que voltem a servir como espaços de lazer, cultura e de convivência.
Entre os espaços já resgatados estão o Largo do Bocage, o Largo José Régio (Auto Pechincha), o Largo Njinga Mbande e os Largos do Cine Atlântico, todos localizados na cidade de Luanda e que estão a ser reconstruídos pela Omatapalo, empresa que já teve como PCA o actual governador de Luanda, Luís Nunes. Também o Largo do Avó Kumbi, no Kilamba Kiaxi, foi resgatado e está a ser intervencionado pela Certave, grupo angolano de engenharia e construção com mais de 20 anos de existência.
No ano passado, o GPL já havia encerrado 12 ginásios que funcionavam em pavilhões públicos cedidos a privados de forma irregular, reforçando a política de resgate do património público, conforme relatou o Expansão em Junho de 2025, na sua edição 830. Moradores de Luanda destacam que, durante muitos anos, não conseguiram usufruir de espaços, como largos e parques, por estarem indevidamente ocupados por privados. A sua recuperação e devolução à comunidade é um passo importante na valorização dos espaços públicos, promovendo maior convivência comunitária e reforçando o sentimento de pertença.
Atrair pequenos negócios
"Era quase impossível sonhar que estes espaços voltariam a ser devolvidos ao povo", disse Neidy Laurinda, residente na Vila Alice, próximo ao Cine Atlântico. Já Miguel Joaquim, morador no Golf 1, advertiu: "Não basta recuperar os largos, é preciso criar projectos de manutenção e garantir que tanto o povo como o governo tenham consciência de pertença".
Segundo Ednácio Pinto, especialista em urbanismo, a valorização dos espaços públicos é fundamental para a construção de uma cidade mais inclusiva e sustentável. "Com a requalificação destes espaços, a população passa a ter mais opções de lazer e actividades que agregam valor à comunidade", afirmou o urbanista.
(Leia o artigo integral na edição 863 do Expansão, sexta-feira, dia 13 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











