Director João Armando

"O Hanormais é um 'Uber' das emoções e opiniões"

"O Hanormais é um 'Uber' das emoções e opiniões"
Foto: Augusto Fernando

Danilo Castro e Kendaz sentiam que faltava em Angola um espaço para se expressarem e fazerem ecoar a voz de outros jovens. A partir deste vazio, surgiu o projecto Hanormais, nas redes sociais, que em menos de um ano se transformou num negócio.

"HanormaisXChange" é um evento criado para permitir uma troca de experiências. Como essa troca é feita?
É feita através da rede social Instagram, onde os membros da Família Hanormais (é assim que tratamos os nossos seguidores) podem interagir connosco nos mais diversos assuntos, aos domingos e quartas das 20h00 à 01h00, por vezes até às 03h00. Além disso, temos presença no Facebook e no Twitter. Fora das redes sociais, temos o Hanormais no Sofá, Hanormais nas Universidades, Hanormais nas Escolas e está a ser preparado o Hanormais na tua Banda.

Quando e como é que este projecto nasce e que espaço já tem em Angola?
O projecto surge, no final de Março de 2018, pois eu e o Kendaz sentimos a necessidade de expressar o que sentíamos e pensávamos, para o mundo ouvir, através do Instagram, criámos uma plataforma e hoje o Hanormais é o seguimento disso. Em Angola, pensamos que já temos um espaço. Porém, ainda estamos a 10% do que pretendemos. Sabemos que as redes sociais não chegam a todos, logo, até atingirmos Angola inteira não estaremos satisfeitos.

Porque é que escolheram o nome Hanormais?
[Risos] Falar sobre os temas que abordamos devia ser normal, mas não é, ainda, na nossa sociedade. Essa é a nossa "luta". (H)anormais, pois somos vistos como "anormais" pela nossa abordagem a temas arrojados.

O nome é provocatório?
Não diria que é uma provocação, talvez um desafio Hanormal [risos]. Queremos provocar um 6.º sentido em quem nos ouve: o sentido da tolerância, do saber conviver com a diferença de opiniões, respeitar a opinião alheia e o gosto pelo conhecimento.

Esta plataforma tem "ajudado os jovens a olhar com outros olhos para diversos assuntos". Porquê?
Nós temos essa percepção, pois introduzimos assuntos outrora vistos como tabu, e que são pertinentes, desde política, economia, sociedade, entretenimento. Viajamos pelos mais diversos campos sem uma ordem "lógica", o que desperta os jovens para realidades e opiniões que outrora não tinham um fórum próprio, por motivos vários.

Em Dezembro, fizeram o "HanormaisXChange" com 1.000 jovens, durante 12 horas de evento. Em Abril juntaram mais de 5.000, durante quatro dias. Como é deram este salto de um evento para o outro?
Esse pulo foi dado por um esforço muito grande em promover o evento com autenticidade e com elementos diferenciadores que atraíssem os nossos seguidores e não só. Além disso, apostamos em cartazes muito fortes, uma grelha de actividades interessantes e temas bastante "sucucus" ("interessante", na linguagem dos Hanormais). Foi um salto ambicioso, porém, quem não arrisca não petisca, é assim que olhamos para os desafios.

Faltam espaços de discussão e troca de ideias em Angola?
Sem dúvida. E não só para os jovens, igualmente para os mais velhos, que quando estão no Hanormais expressam-se de forma diferente. Há que ter em atenção que Angola viveu durante muitos anos com "coisas no peito". O Hanormais só veio ligar umas às outras. Um "Uber" das emoções e opiniões [risos].

Qual é o tema que suscita mais discussão?
Sem dúvida, relações interpessoais, política interna e externa.

Os jovens interessam-se pelas questões económicas e preocupam-se em dar o seu contributo?
Total. Durante as "missas", como chamamos aos nossos episódios semanais, falamos de questões económicas e pensamos que ficaria surpresa com o interesse dos jovens por estas matérias. Chamamos especialistas para comentarem assuntos técnicos e saímos sempre com várias perspectivas enriquecedoras. Conhecemos já bastantes jovens empreendedores que vêem o Hanormais como uma plataforma para se inspirarem e inspirarem outros jovens. Passamos a mensagem que o Governo não irá resolver tudo, que as respostas estão nas nossas mãos e o empreendedorismo é a chave.

Não há limites nestes eventos?
Há limites. A liberdade de expressão tem limites, não é uma anarquia. Moderamos as conversas de forma a serem respeitosas e terem "boa vibe". É um caminho longo, porém, necessário.

No final destes encontros há uma compilação das ideias trocadas?
Regra dos Hanormais: não há conversas sem soluções. Ou seja, no final de todos os programas devemos sair com uma solução para os problemas ou argumentos levantados. Não é nosso objectivo divagar. Então há uma compilação no final de cada tema e avançamos desde que saibamos que a mensagem dos diversos contribuintes foi retida.

Estes encontros permitiram-vos criar um modelo de negócio?
Sim. Temos conseguido através do Hanormais criar um modelo de negócio que identifica no gap da liberdade expressão vivida a possibilidade de reunir pessoas para trocar ideias e viver experiências novas.



Amigos de infância unem-se nos negócios

Augusto Fernando

Danilo Castro (à direita na foto) e Kendaz da Costa Neto formam a dupla Hanormais, criada em 2018 para "abrir a mente dos jovens angolanos, e não só, através de debates". Nascido em Luanda, Danilo é licenciado em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa, com pós-graduações e especializações em Direito de Empresas, Marketing para Líderes de Empresas e Gestão de Empresas pela Autónoma Business School, Universidade Católica de Lisboa e ISEG.

Kendaz também nasceu em Luanda e foi para os EUA, em 2018, onde obteve duas licenciaturas (Relaçôes Internacionais-2014/ Negócios Internacionais- -2016) pela Florida International University e um mestrado em gestão de empresas com concentração em melhoria de processos pela Nova Southeastern Univertsity

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