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Mundo

Cimeira de Bali lança plataforma para acelerar transição energética

INDONÉSIA LANÇA PLATAFORMA PARA CAPTAR FUNDOS PARA "ENERGIA JUSTA E ACESSÍVEL"

Apesar de não ser o fórum indicado para resolver questões de segurança, a guerra na Ucrânia ofuscou a Cimeira do G20, em Bali, Indonésia, e relegou para segundo plano os esforços para acelerar a transição energética e definição de medidas de combate à inflação. China desafia credores privados a perdoarem dívida.

A presidência indonésia do G20 lançou esta segunda-feira, dia 14, a plataforma ETM para captar fundos com vista a acelerar a transição dos países para uma energia justa e acessível, numa cimeira marcada pelos esforços diplomáticos para aprovação de uma declaração final a condenar a guerra na Ucrânia, reforçando o isolamento da Rússia, e pelo encontro inédito entre os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da China, Xi Jinping.

A maioria dos membros do G20, bloco de economias que representa cerca de 80% do PIB mundial, segundo a presidência indonésia, "condenou veementemente a guerra na Ucrânia" e salientou as devastadoras consequências humanas e económicas globais, como se lê no ponto 3 da declaração de Bali, documento de 19 páginas que obrigou a intensos esforços diplomáticos entre as delegações, para encontrar um texto consensual.

Apesar de as cimeiras de chefes de Estado e de governo do G20 não serem o local "mais apropriado para resolver questões de segurança", como refere o documento final, a guerra na Ucrânia mobilizou a atenção da cimeira de Bali, assim como a presidência indonésia do G20, que fica assinalada por um contexto económico global adverso, de inflação e taxas de juro altas.

Na declaração de Bali, os bancos centrais do G20 afirmam o seu empenho "em alcançar a estabilidade de preços", através da melhoria da coordenação e comunicação para fazer ajustamentos às políticas monetárias que levem à estabilização da inflação desenfreada, mas não concretizam como.

Os líderes do grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes reuniram-se pela primeira vez, há 14 anos, para enfrentar "a mais severa crise financeira na nossa geração" e regressam, quase uma década e meia depois, com "uma crise multidimensional sem paralelo" que exige "acções tangíveis, precisas, rápidas e necessárias, utilizando todos os instrumentos políticos disponíveis, para abordar desafios comuns, nomeadamente através da cooperação internacional em matéria de políticas macroeconómicas".

Apoios declarados, mas sem roadmap

O apoio aos países em desenvolvimento também é um compromisso reafirmado, mas sem roadmap definido. Nem mesmo quando o Presidente chinês, Xi Jinping, apelou às instituições financeiras internacionais, os "principais credores dos países em desenvolvimento", para participarem nos "esforços" para reduzir e suspender as dívidas" desses países. "A China lançou a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida do G20 (DSSI) e, no seu âmbito, suspendeu a maior quantia em empréstimos entre todos os membros", afirmou o líder chinês, que instou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a "acelerar" os empréstimos aos países mais pobres.

A segurança alimentar foi uma das preocupações centrais da cimeira de Bali. Os líderes do G20 chegaram a acordo quanto aos fundamentos dos 52 pontos da declaração final, mas também aqui não elencam medidas. Até a prorrogação do acordo assinado a 22 de Julho, para libertar cereais e fertilizantes russos e ucranianos, que expirou sábado passado, dia 19, o ponto 8 da declaração final, ficou pendente.

Reconhecendo o seu papel de liderança para colmatar as lacunas em matéria de energia e para erradicar a pobreza energética, e guiados pelo Bali Compact e o roadmap do Bali Energy Transition, os líderes do G20 dizem estar empenhados em encontrar soluções para alcançar a "estabilidade dos mercados energéticos, transparência e acessibilidade" de preços. "Iremos acelerar a transição e alcançar os nossos objectivos climáticos, através do reforço da cadeia de fornecimento de energia e segurança energética, e diversificação de misturas e sistemas energéticos", lê-se na declaração, que inclui a redução gradual do uso do carvão, em conformidade com as circunstâncias de cada país e reconhecendo a necessidade de apoio a transições justas.

O G20, que congrega dois terços da população mundial (que a semana passada atingiu 8 mil milhões de pessoas) e mais de 75% do comér[1]cio mundial, engloba a Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido, EUA e União Europeia (UE).

Na cerimónia de encerramento da Cimeira de Bali, o Presidente da Indonésia, Joko Widodo, entregou o testemunho à Índia, país que assumirá a presidência do G20 a 1 de Dezembro de 2022, sob o tema "Vasudhaiva Kutumbakam" ou "Uma Terra, Uma Família, Um Futuro".