Desemprego em Luanda atinge 40,5% e os jovens são os mais penalizados
A capital regista mais de dois milhões de desempregados, com uma taxa nove pontos acima da média nacional. Entre os jovens dos 15 aos 24 anos, o desemprego dispara para 78,2%. Dos quase três milhões de trabalhadores, apenas 40,5% têm emprego formal. O comércio absorve 41% dos trabalhadores.
Embora tenham sido publicados esta semana, o que acontece pela primeira vez, os dados referem-se ao final de 2024. A província de Luanda tinha mais de dois milhões de desempregados, correspondentes a 40,5% da população economicamente activa, uma taxa superior em nove pontos percentuais à média nacional de 31,5%, o que mostra as dificuldades de absorção de mão-de-obra na maior concentração populacional e económica do País.
Mas o problema não se limita à falta de emprego. Dos quase três milhões de pessoas que trabalham na capital, apenas 40,5% estão no sector formal, revelando uma economia onde a maioria dos postos de trabalho continua fora das estruturas formais.
Os números do INE mostram que Luanda tinha 9,65 milhões de habitantes, dos quais 5,72 milhões com 15 ou mais anos. Destes, 4,99 milhões integravam a população economicamente activa, mas apenas 2,97 milhões estavam empregados. Ou seja, por cada 10 pessoas disponíveis para trabalhar, quatro não tinham emprego. Entre os empregados, 1,77 milhões exerciam actividades informais, representando 59,5% do total.
Por diferença, o emprego formal abrangia aproximadamente 1,20 milhões de pessoas, equivalentes a 40,5% dos trabalhadores e apenas 24,1% da população economicamente activa.
A distinção é fundamental para compreender a realidade económica da capital. O emprego formal corresponde, em termos gerais, a actividades enquadradas nas estruturas legais e administrativas, com maior acesso a mecanismos de protecção laboral e social. O informal inclui actividades económicas sem esse enquadramento completo, frequentemente associadas ao trabalho por conta própria, pequenos negócios e serviços de subsistência. Não significa necessariamente ausência de rendimento, mas traduz normalmente maior vulnerabilidade e menor protecção.
Comércio domina a criação de emprego
O comércio por grosso e a retalho, incluindo a reparação de veículos, é o principal empregador da província, concentrando 40,9% dos trabalhadores, equivalentes a 1,22 milhões de pessoas. Segue-se a administração pública, defesa e segurança social, com 13,8% (410,5 mil trabalhadores), e os transportes, armazenagem, alojamento e comunicação, com 10,7% (319 mil).
As actividades artísticas, desportivas, serviços domésticos e outras actividades agrupadas pelo INE representam igualmente 10,7%. A construção absorve 6,7% dos empregados e a indústria, energia e água apenas 6,3%. Já as actividades financeiras, imobiliárias e de consultoria representam somente 1,6% do emprego.











