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Economia

Após 32 privatizações, fábricas continuam a trabalhar a meio-gás na ZEELB

NA ZONA ECONÓMICA ESPECIAL LUANDA-BENGO

Criada oficialmente em 2009 e depois recheada com 51 fábricas importadas pelo Estado, as privatizações destes activos anunciavam uma nova era no sector industrial angolano. No entanto, os novos ventos tardam em dar resultados efectivos, apesar de algumas mudanças positivas que têm vindo a acontecer no maior parque industrial do País.

A vaga de privatizações anunciada em 2019, que prometia reformar a economia e o papel do Estado, tarda em originar mudanças estruturais em Angola. No caso da Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEELB), situada no município de Viana, província de Luanda, entre as 32 empresas privatizadas até ao momento no âmbito do Programa de Privatizações (PROPRIV), pelo menos 15 estão paradas, a meio-gás ou em restruturação profunda.

Esta realidade foi constatada no terreno pelo Expansão, que se deslocou à ZEELB para sentir o pulso da nova era no sector industrial do País. Não foi possível visitar todas as indústrias já privatizadas, até porque boa parte delas não está identificada: as placas foram carcomidas pelo sol que bate impiedosamente naquela zona da capital.

Empresas como a Mateléctrica, por exemplo, que fabricava material e acessórios eléctricos, estão paradas e sem actividade produtiva. Informalmente, foi possível apurar que os novos proprietários estão a investir noutros segmentos de negócio. A referida unidade foi vendida por 385 milhões Kz mas, até ao momento, o Estado apenas recebeu 77 milhões Kz, estando 308 milhões Kz em incumprimento, segundo dados do IGAPE - Instituto de Gestão de Activos e Partici[1]pações do Estado.

A situação é igual ou parecida nas empresas Indulouças (que produzia louças sanitárias), Indutive (tintas e vernizes), Angtor (torneiras), Ninhoflex (fábrica de colchões), BTMT (aparelhagens de média e baixa tensão), Indupame (pavilhões metálicos), Indutubo (tubos HDPE), entre outras identificadas pelo Expansão.

Pelo contrário, empresas como a Inducabos (indústria de cabos eléctricos) mantêm alguma produção que, segundo nos disseram no local, é comercializada na província de Luanda. Mas basta olhar para a fábrica, a partir do exterior, para perceber que está a trabalhar bastante abaixo da sua capacidade. Outro exemplo é a Bombagua, que deveria fabricar bombas de água de produção nacional e foi adjudicada ao grupo WM, que acumula interesses nos sectores da indústria, construção, comércio e agricultura.

Durante as visitas efectuadas à ZEELB, foi possível constatar que estão a ser efectuadas obras de manutenção na unidade industrial. Também é possível identificar alguns casos positivos, como a Ecoindustry Juntex, empresa que foi privatizada por 210 milhões Kz e que mantém a sua actividade industrial. A maioria das empresas no activo instalaram-se recentemente na ZEELB ou têm origem no sector privado.

De acordo com o IGAPE, entre as 32 privatizações concretizadas até ao momento na ZEELB, o Estado vai arrecadar um total de 51.045 milhões Kz, já recebeu 34.584 milhões Kz, estando 11.092 milhões Kz em incumprimento. Este processo já passou por três fases. A quarta fase, que teve início a 18 e terminou no dia 19 Outubro, previa a alienação das empresas Inducamar, Inducon, Labcontrol, Pivangola, Sidurex e Tensão BT. Mais de um mês depois, não são conhecidos os resultados do concurso, o que indicia que as ofertas ficaram abaixo do expectável.

(Leia o artigo integral na edição 703 do Expansão, de sexta-feira, dia 02 de Dezembro de 2022, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)