Contribuições para fundos de pensões caem 16% pressionadas pela Sonangol Vida
Redução de 5,8 mil milhões Kz nas contribuições no primeiro semestre é explicada sobretudo pelo maior fundo do mercado. Sector continua, porém, a ganhar dimensão, com o número de fundos a aumentar de 41 para 46, enquanto permanece reduzido o peso da poupança individual.
As contribuições para os fundos de pensões diminuíram 16,31%, para 29.868 milhões Kz, no primeiro semestre de 2026, contra 35.690 milhões Kz no período homólogo, uma redução de 5.822 milhões Kz que contrasta com o aumento do número de fundos existentes no mercado. Mais do que uma quebra generalizada das contribuições, os números mostram que a evolução do mercado continua fortemente condicionada pelo comportamento dos maiores fundos.
A Sonangol Vida, que representa 76,69% das contribuições, registou 22.906 milhões Kz, contra 28.090 milhões Kz no período homólogo, uma redução de 18,46%. Ou seja, só a quebra de 5.184 milhões Kz registada nesta entidade explica cerca de 89% da redução total das contribuições do mercado. Os números sugerem, assim, que a queda está sobretudo associada à evolução do maior fundo e não necessariamente a uma retracção transversal do sistema.
Os dados disponíveis não permitem concluir que a redução resulte directamente de uma perda generalizada da capacidade contributiva das famílias. Aliás, o mercado apresenta sinais contraditórios: enquanto as contribuições recuam, o número de fundos aumentou de 41 para 46, passando os fundos abertos de 10 para 11 e os fechados de 31 para 35. A elevada concentração fica ainda mais evidente quando se observa que, depois da Sonangol Vida, surge a ENSA Seguros, com 2.873 milhões Kz e uma quota de 9,62%. As restantes oito entidades gestoras representam, em conjunto, apenas 4.089 milhões Kz.
Pensões pagas também diminuem
Do lado dos benefícios, o mercado acompanhou a mesma tendência. As pensões pagas diminuíram 11,38%, para 25.113 milhões Kz, contra 28.337 milhões Kz no primeiro semestre de 2025. A velhice continua a representar a principal componente da despesa, concentrando 84,11% do total. Os pagamentos nesta categoria recuaram 15,73%, de 25.064 milhões para 21.122 milhões Kz. Apesar do crescimento institucional, permanece por resolver um dos principais problemas estruturais do sector: a reduzida cultura de poupança individual para a reforma.
O património dos fundos ultrapassa 1,2 biliões Kz, mas continua essencialmente associado aos fundos empresariais e à valorização dos investimentos, em vez de resultar de uma base alargada de poupança voluntária das famílias. É precisamente neste ponto que os operadores defendem maior aposta na literacia financeira e na criação de hábitos de poupança desde idades mais jovens.
"O mais importante não é com quanto se começa, mas sim começar cedo e manter a disciplina", defende Henda Mondlane da Silva, PCE do BFA Pensões, sublinhando a necessidade de investir na educação financeira para demonstrar aos jovens o impacto que pequenas poupanças regulares podem ter no médio e longo prazo.
Num mercado ainda muito dependente dos grandes fundos empresariais, existe também forte concentração dos activos em aplicações conservadoras: 84% dos investimentos dos fundos de pensões estão aplicados em dívida pública e depósitos bancários.











