Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

África

Moçambique precisa do FMI para voltar aos mercados

ACORDO ESTÁ BEM ENCAMINHADO

Com a dívida pública em níveis considerados insustentáveis e a economia em recessão, Moçambique regressa às negociações com a instituição multilateral. Mais do que financiamento, Maputo procura recuperar a credibilidade necessária para atrair investimento e preparar a aposta no gás natural.

Moçambique regressou às negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) numa tentativa de travar a deterioração das contas públicas e recuperar a credibilidade perdida junto dos investidores internacionais. A missão técnica do Fundo esteve até à passada sexta-feira em Maputo para discutir um novo programa de apoio financeiro, num momento em que a economia enfrenta uma das situações mais delicadas desde o escândalo das dívidas ocultas, que há uma década abalou a confiança dos credores internacionais.

Mais do que o financiamento em si, o que o Governo de Daniel Chapo procura é o chamado "selo de qualidade" do FMI. Num contexto em que o acesso aos mercados internacionais continua limitado e os custos de financiamento permanecem elevados, um acordo com o Fundo pode funcionar como garantia de disciplina macroeconómica e abrir portas a novos financiamentos do Banco Mundial, bancos de desenvolvimento e investidores privados.

A urgência é compreensível. Depois de vários anos a apresentar taxas de crescimento entre as mais elevadas da África Austral, a economia moçambicana entrou em terreno negativo em 2025. Segundo dados do FMI e do Banco de Moçambique, o PIB contraiu cerca de 0,5%, reflectindo os efeitos combinados da instabilidade política pós-eleitoral, dos choques climáticos, das dificuldades de financiamento do Estado e dos atrasos nos grandes projectos de gás natural que deveriam impulsionar a economia nesta década.

A desaceleração económica agravou uma situação financeira que já era frágil. Em Fevereiro deste ano, o FMI reviu a sua avaliação e concluiu que a dívida pública moçambicana deixou de ser sustentável. O rácio da dívida atingiu cerca de 91% do PIB, um valor particularmente elevado para uma economia emergente com receitas fiscais limitadas e forte dependência de financiamento externo. Ao mesmo tempo, os atrasos no pagamento da dívida atingiram o equivalente a 1,3% do PIB no final de 2025, situação que levou o Fundo a classificar o país como estando em situação de ....

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo