Sonangol e Unitel "safam" sector empresarial público de prejuízos ainda maiores
Apesar do forte contributo da Sonangol e da Unitel para os resultados do SEP, uma parte significativa dos lucros destas duas empresas não resulta directamente da sua actividade operacional.
As 78 empresas do Sector Empresarial Público (SEP) que apresentaram as contas de 2025 ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) registaram um lucro agregado de 949,0 mil milhões Kz (cerca de 1.040,2 milhões USD), o que representa um aumento de 20% face ao período homólogo. Contas feitas, excluindo os lucros da Sonangol, de 862,4 mil milhões Kz, e da Unitel, de 158,4 mil milhões Kz, o Sector Empresarial Público teria registado um resultado líquido negativo de 72,0 mil milhões Kz.
Na prática, isso significa que os lucros destas duas empresas foram determinantes para manter o agregado do sector no verde, compensando os prejuízos registados pelas restantes empresas públicas. Só a Sonangol representa 91% do lucro agregado do SEP, um sinal claro do peso da petrolífera nacional nas contas das empresas públicas. Importa, contudo, realçar que, apesar do forte contributo da Sonangol e da Unitel para os resultados do SEP, uma parte significativa dos lucros destas duas empresas não resulta directamente da sua actividade operacional.
No caso da Sonangol, mais de metade do lucro obtido no exercício de 2025 teve origem nos resultados positivos das participações na Angola LNG, Millennium BCP e Galp. Estas três empresas contribuíram com 459,4 mil milhões Kz, valor equivalente a 53% do lucro da petrolífera no ano passado. Já na Unitel, os lucros cresceram 59%, impulsionados pelas receitas obtidas com a alienação de 15% da participação no Banco de Fomento Angola (BFA) e pela distribuição de dividendos daquele que é o segundo maior banco em activos do sistema financeiro nacional.
Entretanto, se a análise for feita excluindo o sector extractivo, dominado pela Sonangol e pela Endiama, que representam cerca de 90% do peso económico do SEP, o Sector Empresarial Público registou lucros pela primeira vez na sua história, ao contabilizar um resultado líquido de 57,4 mil milhões Kz, sustentado, sobretudo, pelo desempenho da Unitel.
Em termos sectoriais, o sector extractivo liderou os resultados, com lucros de 891,6 mil milhões Kz, mais 102% do que no ano anterior. Seguiram-se o sector das comunicações, com 159,9 mil milhões Kz (+18%), a electricidade, com 34,6 mil milhões Kz (+4%), e o comércio, com 8,3 mil milhões Kz, um crescimento de 1%. Já os sectores da construção, educação e outras actividades acumularam prejuízos superiores a 220 mil milhões Kz.
Ao nível da rentabilidade, a rendibilidade dos activos (ROA), indicador que mede a eficiência com que uma empresa utiliza os seus activos para gerar lucro, subiu apenas 0,1 pontos percentuais, para 2,0%. Em sentido inverso, a rendibilidade dos capitais próprios (ROE), que mede a capacidade de gerar retorno para os accionistas, recuou 0,1 pontos percentuais, para 5,3%. Em termos globais, os activos agregados do Sector Empresarial Público cresceram 21%, para 47,9 biliões Kz, enquanto os capitais próprios aumentaram 23%, para 17,9 biliões Kz.
Auditores chumbaram contas de 11 empresas
Do universo das 78 entidades que prestaram contas ao IGAPE, 42 tiveram as demonstrações financeiras aprovadas com reservas, mais duas do que em 2024. Em contrapartida, o número de contas aprovadas sem reservas caiu de 26 para 25. Já as contas rejeitadas pelos auditores externos quase quadruplicaram, passando de três em 2024 para 11 em 2025. Ainda assim, os números mostram uma melhoria no cumprimento das obrigações de prestação de contas.
Em 2025, das 79 empresas activas do SEP, 78 apresentaram contas e apenas uma não o fizeram. Das 78, 76 apresentaram também relatórios de gestão, 67 incorpora ram relatórios de um auditor externo e 64 juntaram também o parecer do Conselho Fiscal.











