A uma semana do Natal preços sobem até 25% no informal e 23% no formal
Este ano há menos movimento nas compras de Natal porque existe menos poder de compra por parte da maioria dos cidadãos. Os preços dos principais produtos alimentares também não dispararam como em anos passados, mas ainda assim houve alguns aumentos significativos.
A pouco dias do Natal, os preços de alguns dos principais produtos da cesta básica em Luanda registaram aumentos até 25% no mercado informal, numa lista de 19 produtos, e 23% no formal, num total de 21 bens alimentares. A informação foi apurada pelo Expansão numa ronda feita na cidade de Luanda, comparando os preços entre 5 e 18 de Dezembro. As informações foram recolhidas nos mercados formais (Kero, Candando e Maxi) e informais (Catinton).
Relativamente ao mercado formal, destacar a subida em apenas 13 dias de 23% na fuba de milho, 16% na farinha de trigo, 15% no Leite Nido em pó e 14% no azeite. Sete das referências estudadas mantiveram os preços e apenas dois produtos apresentaram baixas de preço, frango congelado (-1%) e leite Mimosa (-3%). Já no mercado informal os produtos com maiores acréscimos foram o vinagre (+25%), feijão manteiga (+ 19%), óleo Fula (+18%), feijão catarino (+15%), arroz (+13%) e farinha de trigo (+13%). Dez dos produtos analisados mantiveram os preços e apenas um, fuba de milho, teve um decréscimo, no caso -13%.
Contrariamente a anos passados onde a especulação de preços era muito maior nesta época do ano, os preços de produtos básicos, como arroz, ovos ou açúcar, mantiveram- -se estáveis, justificado pelo facto de a procura também ter baixado. Nos mercados informais, por exemplo, o movimento nestes dias é similar ao que acontece durante todo o ano, o que confirma que existe menos apetência para comprar e que as famílias têm menos disponibilidade financeira.
Recorde-se que a desvalorização do kwanza em quase 40% teve um impacto directo nas poupanças dos cidadãos, e que a onda inflacionista que este facto gerou a partir de Junho retirou poder de compra aos cidadãos. Dona Helena, uma vendedora do mercado do Cantinton explicou ao Expansão que as prioridades mudaram e já não se pode gastar exageradamente como em anos passados. Confirmou que este ano será diferente dos anteriores, o Natal será mais racionalizado por conta das actuais dificuldades. "Faremos apenas algo simbólico, não temos condições para fazer grandes gastos".
Este ano não se vê nos mercados informais o habitual movimento de vendedoras de brinquedos e bijuterias que caracteriza esta época do Natal, justificado por essa diminuição do poder de compra dos cidadãos. "Por agora está calmo, mas acho que no próximo sábado, véspera do Natal, muitas das pessoas vão aparecer para comprar qualquer coisa para as crianças e para a família. Como há menos dinheiro, primeiro compra-se os alimentos, e depois o que sobra é que fica para as prendas", explica-nos outra vendedora do mercado. Nos principais supermercados da cidade de Luanda, frequentados pela classe média e alta , o Expansão encontrou muita gente às compras, mas percebe-se que são outras áreas que não os produtos alimentares básicos, brinquedos, artigos para o lar, bebidas alcoólicas ou chocolates, que têm um maior destaque na gestão da loja e onde se centram as campanhas de promoção.
Um dos factores que motivou a presença de mais clientes nas lojas e nos mercados no dia em que o Expansão fez a recolha dos preços foi o pagamento dos ordenados da função pública, na passada sexta-feira, dia 15. "Na verdade, tivemos um acréscimo de clientes esta semana, as pessoas compraram mais umas coisas para o seu Natal. Mas todos nos vão dizendo que este ano vai haver muito mais restrições do que em anos passados", explica-nos o gestor de um dos supermercados mais conhecidos da capital.
Explica também que este ano houve uma preocupação maior em não subir os preços nesta época como acontecia no passado, até porque grande parte dos grupos de distribuição preparou as vendas com antecedência, importou mais cedo e "fugiu" ao impacto da especulação que acontece sempre nos últimos meses do ano. Também se deve destacar que este ano houve uma maior fiscalização dos preços por parte da ANIESA nos pontos de venda formais, o que inibiu um pouco mais as práticas especulativas.











