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Angola

Africell avança para a rede móvel em Angola com a promessa de que a Angorascom não vai operar

CONCURSO INTERNACIONAL DA 4.ª LICENÇA MÓVEL

A atribuição de uma licença sem concurso público a um eventual concorrente, que até tem operações na Coreia do Norte, fez soar os alarmes na Africell, empresa sedeada no Reino Unido, mas de capitais norte-americanos. Embaixada dos EUA tem apoiado pressão junto do Governo, que se prepara para voltar atrás no negócio que envolvia a cedência da terceira licença móvel, que é um activo da Angola Telecom.

O Governo e a Africell, uma operadora móvel já a operar em África, estão a afinar os últimos detalhes para a entrada em Angola desta empresa de capitais maioritariamente norte-americanos sedeada no Reino Unido.

A aposta em Angola chegou a estar em causa, isto porque o Governo, através do Despacho Presidencial n.º 193/19 e publicado em Diário da República no passado 5 de Novembro, entregou sem concurso público a terceira licença móvel que estava atribuída à Angola Telecom à Angorascom, uma empresa que tem como accionistas o quarto homem mais rico de África Naguib Sawiris, segundo a Forbes, que é também accionista da Orascom, mas também com interesses de alguns homens de negócio angolanos.

Este anúncio ocorreu enquanto decorria ainda o processo do concurso para a concessão da quarta licença, ao qual concorria a Africell, que entretanto acabou por ser o único candidato a formalizar uma proposta àquele que foi a repetição de um concurso entretanto cancelado devido à polémica atribuição à Telstar. A atribuição de uma licença sem concurso público a um eventual concorrente que até tem operações na Coreia do Norte fez soar os alarmes na Africell.

"Foi uma grande preocupação e fez parte da nossa due diligence. Nós já não entrámos no primeiro concurso por questões ligadas à transparência do processo. Nós só queremos operar de forma transparente. Vimos o que pareceu um processo que não estava a ser conduzido da melhor forma. Temos conversado com o Governo e o regulador, temos trabalhado também com a embaixada dos EUA, para tentar clarificar o que estava a acontecer com a Angola Telecom. Posso garantir que nos foram dadas garantias pelo Governo sobre o que queriam fazer com a Angola Telecom e o que pretendem do nosso processo. E que não há [já] processo com a Angola Telecom, o que nos deu conforto para continuar. Mas ainda estamos a dialogar sobre isto", sublinhou ao Expansão, na semana passada, o director de investimentos da Africell, Ian Paterson.

O responsável acrescenta: "foram- nos dadas garantias que as discussões para a atribuição da licença da Angola Telecom com a Angorascom foram descontinuadas". Entretanto, o Expansão apurou junto do Governo que a Angorascom (cujo registo comercial ainda não foi publicado em Diário da República) vai mesmo afastada, apesar de a empresa ter lançado publicamente um programa de recrutamento de funcionários nos principais jornais do País. (...)


(Leia o artigo integral na edição 573 do Expansão, de sexta-feira, dia 8 de Maio de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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