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Opinião

Mais um ano de glória reservado aos "Luíses"

CONVIDADO

Coincidência ou não, os anos de 2024 e 2025 ficam devidamente registados e marcados como verdadeiros anos de glória para os "Luíses", muito pelo facto de liderarem os três maiores campeões dos lucros da banca, Luís Lélis, Luís Gonçalves e Luís Teles.

Mesmo não se tratando de alguma obra de ficção, acredito piamente que qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.

No estrito respeito ao plasma do no n.º 2, alínea b - artigo 7.º, n.º 3 - artigo 6.º e n.º 2 - artigo 5.º, todos referentes ao Aviso n.º 05/2019 de 30 de Agosto do Banco Nacional de Angola, mais de metade das Instituições Financeiras Bancárias cumpriram com o seu dever de informação, fazendo publicar as suas Demonstrações Financeiras de 2025 por via dos mais diversos canais autorizados pelo regulador, a saber:

Sítio da internet;Boletim de informação e divulgação de entidade de classe;Jornal de grande circulação.

Na senda do que sucedeu no ano anterior, isto é, em 2024, a supremacia voltou a ser concedida aos campeões dos resultados do exercício económico de 2025, onde os três gigantes de 2024 confirmaram a sua supremacia, alternando apenas as posições entre o primeiro e o segundo da tabela, nomeadamente BAI e BFA.

Da restrita lista de campeões dos lucros, destacam-se o BAI, comandado por Luís Filipe Lélis, que lidera o ranking do maior banco em activos desde 2018, e vem consolidando esta posição ano após ano, que apurou um lucro líquido na ordem de 296 mil milhões de Kwanzas contra os 151 mil milhões do ano anterior, representando um crescimento na ordem de cerca de 96%, seguindo-se o BFA, liderado por Luís Roberto Gonçalves, que arrecadou a quantia de 231 mil milhões de Kwanzas contra os 206 mil milhões de 2024, representando uma variação de 12% face ao período homólogo, sendo que na terceira posição quedou-se o SBA, liderado por Luís Teles, com a soma de 150 mil milhões de Kwanzas contra os 125 mil mi lhões de 2024, traduzidos numa variação positiva de 20%.

Dentre os factores que mais influenciaram o crescimento exponencial dos lucros do trio que domina os resultados da banca angolana nos últimos dois anos, destacam-se o Produto Bancário, alavancado essencialmente pela Margem Financeira, sendo que esta última foi essencialmente impulsionada pelo aumento de proveitos com títulos, proveitos de créditos, bem como resultados cambiais.

Voltados para uma política com cunho de grande carácter de justiça, os dois bancos hoje cotados na BODIVA, o BAI e BFA, aquando da realização das suas assembleias gerais de accionistas, decidiram aplicar grande parte dos lucros obtidos na distribuição de dividendos aos seus accionistas, em 50 e 60%, respectivamente.

Coincidência ou não, os anos de 2024 e 2025 ficam devidamente registados e marcados como verdadeiros anos de glória para os "Luíses", muito pelo facto de liderarem os três maiores campeões dos lucros da banca, Luís Lélis, Luís Gonçalves e Luís Teles.

Habituamo-nos a ouvir com bastante frequência o velho adágio popular de que "não há bela sem senão". Diante destes resultados apurados, levantam-se variadíssimas questões sobre o que nos reservam os próximos tempos, num contexto cada vez mais dúbio e repleto de reticências.

É expectável que prevaleça algum cepticismo relativamente ao desempenho da economia no geral, e da banca em particular, a julgar pelos últimos desenvolvimentos que envolvem os meandros da geopolítica internacional, motivados pelo conflito prevalecente no médio oriente, descrito como o de maior impacto na actualidade.

*Francisco Leitão Ribeiro, Licenciado em Administração de Empresas

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