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Angola

Projecto Bita ajuda mas não resolve grande défice de água em Luanda

OBRAS DEVERÃO FICAR CONCLUÍDAS ESTE ANO, SEGUNDO MINISTRO

Especialista alerta que projecto Bita não resolverá carência de água em Luanda. Ministro afirma que, com a entrada em funcionamento dos novos sistemas, será possível mais do que duplicar a capacidade para 1,2 milhão de metros cúbicos/dia.

As obras do Projecto Bita, que tiveram início em Outubro de 2022, estarão concluídas em Dezembro deste ano, com o início dos testes de funcionamento agendado para Janeiro de 2027, anunciou o ministro da Energia e Água, João Baptista Borges, durante uma visita às frentes de trabalho. O Projecto Bita, com capacidade para fornecer 250 mil metros cúbicos/dia, prevê cerca de 170 mil ligações domiciliares, beneficiando sobretudo a zona sul e parte central de Luanda.

Segundo o ministro, o ritmo de execução é aceitável, mas a captação continua a ser o ponto mais crítico. A obra esteve paralisada durante quatro meses devido a exigências do Banco Mundial e foi também afectada pela época chuvosa.

Em paralelo, o projecto Quilonga grande, com capacidade de 500 mil metros cúbicos/dia - o dobro do Bita - deverá também ser concluído até ao final do ano. Este projecto prevê 250 mil ligações domiciliares, ainda por iniciar, e vai reforçar o abastecimento nas zonas norte e nordeste da capital, incluindo Zango, Mulenvos, Viana, Cacuaco e Cazenga. O financiamento está em fase de conclusão e deverá permitir que áreas novas, sem rede domiciliar, passem a ter acesso directo à água canalizada.

De acordo com o ministro Baptista Borges, a capacidade actual de abastecimento de água em Luanda é de cerca de 500 mil metros cúbicos/dia, mas com a entrada em funcionamento dos novos sistemas será possível mais do que duplicar para 1,2 milhão de metros cúbicos/dia.

"Este salto permitirá atingir uma cobertura de 100% da população urbana, es timada em 13 milhões de habitan tes, segundo os padrões das Na ções Unidas, que recomendam 100 litros de água por pessoa/dia", referiu João Baptista Borges.

Repensar modelo de abastecimento

Apesar dos números avançados pelo ministro, o Projecto Bita não será suficiente para suprir as necessidades crescentes de Luanda, segundo o engenheiro hidráulico, Francisco Lopes, que alerta para a dimensão do défice actual e para a necessidade de repensar o modelo de abastecimento.

Segundo o especialista, a cidade enfrenta hoje uma carência superior a um milhão de metros cúbicos de água por dia, enquanto os projectos Bita e Quilonga, mesmo na sua fase final, terão uma capacidade conjunta de apenas 700 mil metros cúbicos/dia. "O projecto é bem-vindo e vai minimizar a situação em algumas áreas, mas a deficiência continuará. Luanda cresce todos os dias e os sistemas não acompanham esse ritmo", afirmou.

O engenheiro defende ainda que a solução passa por municipalizar os serviços de água, permitindo que cada município produza e trate a água necessária para o seu consumo. "Não podemos ter todos os municípios dependentes de Viana e Cacuaco, onde estão as grandes estações de tratamento. É preciso descentralizar, criar reservatórios locais e estações de tratamento adaptadas às necessidades de cada zona", explicou.

O especialista sugere que o setor da água siga o exemplo da energia eléctrica, que distribui energia bruta e a transforma localmente, de acordo com as necessidades.

"Com a água deve ser igual. Produzir na periferia e tentar distribuir para o centro gera ineficiências e perdas. É preciso criar reservatórios de água bruta em cada município e, a partir daí, construir estações de tratamento locais", acrescentou Francisco Lopes.

Reduzir a dimensão do mercado informal

João Baptista Borges sublinhou que o grande desafio no abastecimento continua a ser a rede de distribuição, essencial para levar a água até às casas dos consumidores.

"Queremos reduzir a dimensão do mercado informal e garantir água com preço justo e qualidade. Não basta captar e tratar, é preciso que a água chegue às famílias", reforçou. O ministro reconheceu ainda que o garimpo de água continua a ser um problema, mas acredita que o aumento da oferta e da disponibilidade irá reduzir estas práticas, tal como aconteceu no sector da eletricidade. "Com mais água disponível, a tentação para actos ilícitos diminui", justificou.

Além do Bita e do Quilonga, o programa Pro-água prevê a recu peração da capacidade nominal das instalações existentes e a ins talação de três estações compactas de tratamento de água - duas no Kilamba e uma no Zango - para reforçar o abastecimento em áreas de elevada densidade populacional. Estas unidades, com capacidades de 80 mil e 40 mil metros cúbicos, vão complementar os grandes sistemas e garantir maior equilíbrio na distribuição.

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