Só 1 em cada 10 licenciados tiram cursos de engenharia, universidades desalinhadas com a economia
Especialistas dizem que é urgente mudar o modelo de financiamento das universidades, com a introdução de contratos-programa de desempenho e subsidiando cursos de engenharias em universidades privadas. Instituições sem liquidez "vendem" sonhos, mas entregam canudos para o desemprego.
Só um em cada 10 licenciados nos estabelecimentos de ensino superior do país, entre 2014 e 2023, se graduaram em cursos ligados às engenharias, um sinal que evidencia um desalinhamento entre a formação de capital humano e as necessidades reais da economia nacional, e que compromete a tão desejada diversificação económica. Segundo Cálculos do Expansão com base nos anuários estatísticos do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), que fazem referência ao período entre 2014 a 2024, neste período graduaram-se em Angola um total de 218.544 estudantes universitários. Entre 2014 e o ano lectivo 2023/2024, o número de graduados por ano cresceu 133%, ao passar de 13.547 para 31.503.
Neste período, o panorama do ensino superior em Angola cresceu em quase todas as vertentes: o número de instituições de ensino superior passou de 71 para 104, o número de professores disparou de 4.129 para 11.947 e a população estudantil também mais do que duplicou ao passar de 146.001 alunos para um total de 343.235.
Foram anos de crescimento acelerado no ensino superior, o que contrasta, por outro lado, com aquilo que tem sido a realidade económica do País. Pelo meio Angola registou uma recessão de cinco anos consecutivos (2016 a 2021), bem como fracos crescimentos económicos, com as razões a estarem sempre no mesmo suspeito do costume: o petróleo.
Nestes últimos 10 anos, a produção de crude no país passou de 1,7 milhões de barris/dia para pouco mais de 1,0 milhões. Depois de anos e anos a falar-se da diversificação económica, foi a partir de 2019 ( já com a reforma cambial em vigor, o que provocou uma forte desvalorização cambial), com a criação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) que se passou a avançar mais para a prática, mesmo que ainda esteja distante daquilo que são as reais necessidades do País.
Este instrumento criou mecanismos de financiamento e permitiu a instalação de unidades industriais para produção de diversos bens de consumo, com destaque para a alimentação. E ainda que sejam levantadas bastantes dúvidas no seio académico sobre as estatísticas do INE, nos últimos anos o peso da agricultura e da indústria transformadora tem vindo a crescer, enquanto o do petróleo tem vindo...











