Grandes grupos económicos concorrem com Angola por participação na De Beers
Angola quer juntar-se ao Botsuana, Namíbia e África do Sul na compra dos 85% da participação na De Beers. Para o Botsuana, que já detém os restantes 15%, a posse da De Beers é uma questão de "soberania económica".
Vários grupos empresariais juntaram-se ao lote de interessados na aquisição da participação da Anglo American na De Beers, avançou o CEO daquela que é uma das maiores diamantíferas mundiais. Desta forma, concorrem com Angola, Botsuana e Namíbia, que já tinham manifestado o seu interesse. Segundo afirmou Al Cook à Reuters, além dos três países, que são grandes produtores mundiais de diamantes, "vários grupos empresariais" também já demonstraram interesse nos 85% da multinacional que lidera a exploração, mineração e comercialização de diamantes a nível global.
Os restantes 15% pertencem ao Botsuana, que está igualmente na corrida para assumir o controlo total da De Beers, beneficiando do direito de preferência na operação. Para o aquele país, controlar a De Beers é uma questão de "soberania económica", segundo Duma Boko, Presidente do Botsuana, segundo maior produtor mundial de diamantes e cuja economia tem forte dependência do sector.
No caso de Angola, a diamantífera nacional Endiama colocou- -se na linha da frente e já terá apresentado uma proposta para adquirir a posição maioritária (85%), segundo avançou há uns meses José Ganga Júnior, PCA da empresa. Esta posição foi, no entanto, contrariada em Setembro de 2025 pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, que defendeu uma compra partilhada e estratégica entre Angola, África do Sul, Botsuana e Namíbia, com o objectivo de reforçar a influência dos países africanos no sector diamantífero mundial. Em termos práticos, Diamantino de Azevedo afirmou, na altura, que a proposta angolana não visa o controlo da De Beers.
"Angola acredita que o futuro da De Beers depende da sua continuidade como uma empresa global liderada pelo sector privado. A nossa proposta visa estabelecer uma parceria significativa entre Angola, Botsuana, Namíbia e África do Sul, garantindo que nenhuma parte detenha domínio exclusivo e que a empresa possa evoluir como uma entidade comercial verdadeiramente internacional", declarou o governante.
A proposta de compra partilhada foi assumida apenas por Angola, não havendo, até ao momento, indícios de diálogos abertos entre os governos envolvidos. Entretanto, o Executivo comprometeu-se a enviar convites formais aos três países que manifestaram interesse na participação da Anglo American. Os 85% das acções da De Beers estão avaliados em cerca de cinco mil milhões de dólares.
O Governo já deixou claro que uma eventual entrada da Endiama no capital da De Beers não contará com financiamento do Orçamento Geral do Estado (OGE), partindo do princípio de que a diamantífera terá "capacidade financeira para tomar essa decisão", afirmou Vera Daves, em Outubro de 2025, durante a apresentação da proposta do OGE para 2026. Indianos na corrida Na corrida pela participação da Anglo American, Angola e os outros três países africanos enfrentam forte concorrência de grupos económicos internacionais.
Embora o CEO da empresa não tenha revelado os nomes dos interessados, a Reuters avançou, em Junho de 2025, que o bilionário indiano Anil Agarwal (empresário influente no sector dos recursos mineração, petróleo e gás e metais), grupos indianos ligados ao comércio de diamantes e fundos de investimento do Catar estão entre os potenciais interessados na De Beers.
Este interesse surge num momento em que a De Beers está a intensificar o seu foco na Índia, considerada "um mercado extremamente importante", onde se espera que a procura por diamantes naturais duplique, com o mercado de pedras preciosas a atingir 16,7 mil milhões USD até 2030.











