Quatro anos depois, petróleo ultrapassa a barreira dos 100 USD por barril
Crude inicia a semana a registar o maior aumento de sempre, com Brent a disparar 27% no arranque da sessão. As novas estimativas que apontam que poderá em breve chegar aos 150 USD parecem cada vez mais alcançáveis.
O preço do petróleo não pára de subir e na manhã desta segunda-feira negoceia acima dos 100 dólares o barril em Londres e Nova Iorque, atingindo valores que não eram vistos há quatro anos, desde o início da invasão russa da Ucrânia. A forte escalada dos preços está associada ao agravamento do conflito no Médio Oriente e ameaça provocar ondas de choque por toda a economia mundial, através de um encarecimento dos combustíveis que pode durar semanas ou meses, alimentando a inflação.
Perto das 08h de Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas disparava 16,34%, para 107,8 USD por barril, depois de terem chegado a disparar 27% no início do dia de negociações nos mercados asiáticos, para 117,7 USD, o maior aumento de sempre do petróleo num só dia. Simultaneamente, os futuros do norte-americano WTI somavam mais de 14%, para 107,7 USD. Estiveram a subir mais de 31% no começo da sessão, para 119,5 USD o barril.
Isso, por um lado, é uma boa notícia para Angola, já que quanto mais tempo os preços do crude permanecerem nestes patamares, maior será a probabilidade de o preço médio superar os 61 dólares por barril inscritos no Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano, que prevê um défice orçamental de 3,8 biliões de kwanzas, equivalente a 2,8% do PIB. Preços mais elevados tendem, assim, a traduzir-se em maiores receitas petrolíferas e, consequentemente, em maior folga financeira para o Estado.
Por outro lado, a subida do petróleo também tem efeitos adversos. O encarecimento da energia tende a travar a actividade económica global e a alimentar pressões inflacionistas a nível internacional, um fenómeno que acaba por repercutir-se na economia angolana. Altamente dependente de importações para abastecer o mercado interno, o País acaba por importar parte dessa inflação. Além disso, os combustíveis continuam a ser parcialmente subvencionados pelo Estado, através da Sonangol, o que significa que preços internacionais mais elevados aumentam a pressão sobre as contas públicas e podem reduzir parte do ganho obtido com a subida do crude.
Realçar que o petróleo quase chegou a tocar nos 120 USD por barril nos contratos de futuros esta madrugada, impulsionado pela decisão do Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, três grandes produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de reduzir a produção de crude devido à falta de espaço de armazenamento. Estes países não estão a conseguir exportar através do estreito de Ormuz devido às ameaças iranianas contra os petroleiros, numa altura em que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão não dá sinais de abrandamento.











