Unitel avaliada em 2 biliões Kz é a mais valiosa da bolsa angolana
Depois do sucesso da OPV do BFA, que gerou euforia e viu as acções do banco detido pela Unitel atingirem um pico de 125 mil Kz no ano passado, desta vez é a própria operadora que avança para a bolsa, com um preço máximo de 40.040 Kz por acção, numa operação que poderá permitir um encaixe de 300 mil milhões Kz.
Após vários adiamentos, a Unitel arrancou finalmente com a Oferta Pública de Venda (OPV), que marca a entrada da operadora nacional na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). A operadora avançou esta semana com a venda pública de 7,5 milhões de acções, com um valor unitário de referência de 5.000 kwanzas, correspondentes a 15% do capital social detido pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), em representação do Estado.
A operação deverá tornar-se a maior Oferta Pública de Venda (OPV) realizada até ao momento na bolsa de Luanda, superando a OPV do BFA, realizada no ano passado, que avaliou o banco em cerca de 742,5 mil milhões Kz. A entrada da Unitel no mercado accionista é aguardada com elevada expectativa pelos investidores, sobretudo depois do desempenho registado pelas acções do BFA após a sua admissão à negociação, que chegaram a atingir um máximo de 125 mil kwanzas no ano passado, reforçando o interesse dos investidores pelo mercado accionista. Agora, a própria Unitel chega à bolsa com uma avaliação superior, mas com um preço de entrada mais baixo por acção e uma dimensão bolsista significativamente maior.
Assim, do total de 7,5 milhões de acções colocadas à venda, 6,5 milhões, equivalentes a 13% do capital social, estão disponíveis para o público em geral, enquanto um milhão de acções, correspondentes a 2% do capital, está reservado aos trabalhadores da Unitel. As acções serão disponibilizadas a um intervalo de preço entre 36.036 Kz e 40.040 Kz e o preço final será fixado três dias úteis após o encerramento da oferta pública, previsto para 27 de Julho.
Ao contrário das anteriores OPV realizadas em bolsa, onde era exigida a aquisição mínima de cinco acções, na operação da Unitel cada investidor poderá apresentar uma ordem de compra para apenas uma acção ao passo que o limite máximo permitido é de 2.499.999 acções, equivalente a 5% do capital social da empresa. Caso o preço final seja fixado no valor máximo de 40.040 Kz e não exista rateio (situação que ocorre quando a procura supera a quantidade disponível de títulos), o investimento mínimo será de 40.040 Kz para adquirir uma acção, sem descontar os custos com intermediação. Já o investimento máximo poderá aproximar-se dos 100 mil milhões Kz.
Mais do que o montante da operação, é a dimensão da empresa que deverá alterar a própria configuração da bolsa. Tendo em conta que a Unitel está representada por 50 milhões de acções ordinárias, correspondentes à totalidade do seu capital social. Admitindo que o preço final da oferta seja fixado nos 40.040 Kz por acção, cenário considerado provável tendo em conta o comportamento das OPV anteriores, a capitalização bolsista da operadora poderá atingir cerca de 2 biliões kz (cerca de 2,2 mil milhões USD).
Assim, com esta avaliação, a Unitel tornar-se-á a empresa mais valiosa da bolsa, ultrapassando o BAI, que no momento do lançamento da operação apresentava uma capitalização bolsista de cerca de 1,8 biliões Kz. Contas feitas, com 7,5 milhões de acções disponíveis e considerando o preço máximo de 40.040 Kz, a operação poderá gerar um encaixe financeiro próximo dos 300 mil milhões Kz, superando o valor arrecadado pelo BFA, cuja OPV permitiu captar cerca de 220 mil milhões Kz.
Importa recordar que, quando entrou em bolsa, o BFA foi avaliado em aproximadamente 742,5 mil milhões Kz, valor significativamente inferior ao que poderá alcançar agora a operadora de telecomunicações. Desta forma, tudo indica que a Unitel venha a protagonizar a maior Oferta Pública de Venda da história da bolsa angolana, quer em termos de dimensão financeira quer em valor de mercado. Assim, a empresa vai juntar-se assim às cinco sociedades actualmente cotadas, nomeadamente, o Banco Angolano de Investimentos (BAI), Caixa Angola, Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA), BODIVA e Banco de Fomento Angola (BFA), tornando- -se a sexta empresa admitida no mercado accionista angolano.
O que dizem os indicadores financeiros
Há, no entanto, diferenças importantes entre as duas operações. Enquanto o BFA chegou à bolsa como um banco com uma política consistente de distribuição de dividendos, a Unitel apresenta uma remuneração mais modesta aos accionistas. O dividend yield estimado ronda apenas 2%, um nível que dificilmente será suficiente para atrair investidores focados exclusivamente em rendimento.
Na prática, quem entrar nesta OPV estará sobretudo a apostar na valorização futura da empresa e menos no retorno imediato proporcionado pelos dividendos. Entretanto, os múltiplos financeiros ajudam a enquadrar essa expectativa. Considerando o preço máximo da oferta, a Unitel entra na bolsa com um rácio preço sobre...











