Sim, chefe!
Criou-se uma geração de dirigentes e gestores que prefere rodear-se de pessoas que confirmam as suas convicções em vez de profissionais capazes de as desafiar. O objectivo deixou de ser tomar a melhor decisão. Passou a ser proteger o ego de quem manda.
Durante muitos anos acreditou-se que as organizações cresciam quando conseguiam atrair os melhores profissionais. Afinal, parece que andávamos todos enganados. A nova ciência da gestão descobriu que o maior perigo para um chefe não é um incompetente. É um competente.
O profissional que sabe, que conhece os processos, que identifica erros e que ainda tem o desplante de apresentar soluções, tornou-se uma espécie em vias de extinção. Não porque produza pouco, mas porque pensa demasiado. E pensar, pelos vistos, tornou-se uma actividade altamente subversiva. No lugar deles entra uma nova espécie profissional, cuidadosamente seleccionada. O currículo já não é avaliado pela competência técnica, pela experiência ou pela capacidade de resolver problemas. O atributo decisivo passou a ser outro: a extraordinária habilidade de concordar. "Excelente ideia, chefe", "Brilhante decisão" ou "Nem eu teria pensado melhor."
Criou-se uma geração de dirigentes e gestores que prefere rodear-se de pessoas que confirmam as suas convicções em vez de profissionais capazes de as desafiar. O objectivo deixou de ser tomar a melhor decisão. Passou a ser proteger o ego de quem manda. O resultado vê-se todos os dias. Organizações mais lentas, menos inovadoras,menos rentáveis e cada vez mais frágeis. Os erros multiplicam-se, mas quase nunca são assumidos. A culpa é da conjuntura, do mercado, da oposição, da imprensa ou, se nada disto resultar, da equipa que, curiosamente, já não conta com aqueles que sabiam evitar os problemas antes de acontecerem.
Há muito que um bom líder era aquele que contratava pessoas mais competentes do que ele em várias áreas. Hoje, parece prevalecer o princípio inverso: nunca contratar alguém que possa fazer uma pergunta incómoda numa reunião. A competência passou a ser vista como concorrência, a ideia de que a meritocracia é importante na estrutura hierárquica foi empurrada para debaixo do tapete.
O mais curioso é que muitos destes chefes vivem obcecados com a própria imagem, mas completamente desligados dos resultados da organização que dirigem. Confundem liderança com veneração, autoridade com unanimidade e respeito com silêncio. O mundo está a criar uma geração que não ouve e que confunde opinião com confrontação.
É uma estratégia eficaz para alimentar egos, mas desastrosa para produzir riqueza, inovação e crescimento. Porque as instituições não falham por excesso de inteligência. Falham quando expulsam quem pensa e promovem quem apenas acena com a cabeça.
As instituições sobrevivem graças à inteligência colectiva, ao confronto saudável de ideias e à coragem de dizer que uma decisão pode estar errada antes que os prejuízos apareçam. O pensamento crítico nunca foi um problema. O problema começa quando passa a ser tratado como um acto de insubordinação.
No fim, sobra uma sala cheia de pessoas absolutamente alinhadas, todas a concordar entre si... enquanto a organização caminha ordeiramente para o abismo. É assim nas empresas, nas instituições e nos governos. O debate e a diferença de opinião sempre foram o combustível do sucesso.














