Tanzânia quer fechar acordo de gás natural de 42 mil milhões USD após falhar primeira data
A descoberta faz parte das reservas totais de gás natural liquefeito do país, estimadas em 57,5 biliões de pés cúbicos, as sextas maiores de África. Governo falhou primeira meta para fechar acordo em Junho.
A Tanzânia pretende finalizar, nos próximos meses, um acordo com um consórcio de grandes empresas de energia, liderado pela Equinor e a Shell, para o desenvolvimento de um projecto de gás natural liquefeito (LNG, na sigla em inglês) de 42 mil milhões USD. "Está quase fechado", afirmou o ministro das Finanças, Khamis Mussa Omar, na terça-feira, à Reuters, após falhar em Junho e Agosto as primeiras metas para fechar o acordo que vai transformar o país num "centro energético regional na África Oriental".
Liderado pela norueguesa Equinor e pela britânica Shell, o projecto de LNG deverá explorar reservas estimadas em 47,1 biliões de pés cúbicos de gás natural descobertas nos campos marítimos profundos da Tanzânia.
Os outros parceiros do projecto, que visa os mercados regionais de energia, são a Exxon Mobil, a Pavilion Energy, a Medco Energi e a empresa estatal Tanzania Petroleum Development Corporation. A descoberta faz parte das reservas totais do país, estimadas em 57,54 biliões de pés cúbicos (bcf, na sigla em inglês), as sextas maiores de África, atrás da Nigéria (que lidera com reservas estimadas em 206,5 bcf ), a Argélia (159,1 bcf ), Senegal (120 bcf ), Moçambique (100 bcf ) e o Egipto (77,2 bcf ), de acordo com um gráfico do portal Energy Year, que tem por base, entre outros, dados do Ministério da Energia da Tanzânia.
Embora a maior parte do LNG produzido deva ser exportado, uma parcela destina-se ao mercado interno. Juntamente com o projecto de LNG, a Tanzânia pretende duplicar a sua capacidade de geração de electricidade para 8.000 megawatts até 2030, com 75% da energia gerada a partir de fontes limpas, incluindo energia hidroeléctrica, solar, eólica e gás natural, como afirmou o ministro das Finanças, citado pelo The Voice of Africa, jornal pan-africano com sede em Washington.
O governo também está perto de concluir acordos para dois projectos de minerais críticos, segundo Khamis Mussa Omar, que se escusou a fornecer detalhes. O ministro limitou-se a afirmar que os investidores americanos estavam particularmente interessados nas oportunidades nos sectores da energia e dos minerais críticos. Para atrair mais investimento externo, a Tanzânia está a transformar o seu quadro legislativo e financeiro, procurando novas formas de financiar as despesas públicas.
O Executivo alargou o acesso dos investidores estrangeiros ao seu mercado de obrigações doméstico, introduziu uma curva de rendimentos soberanos e implementou reformas destinadas a incentivar a emissão de dívida corporativa.
Segundo o Business Insider Africa, o governo ainda não decidiu se irá emitir um título internacional, estando a considerar recorrer a um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional, após terminar em Julho um programa financiado em 1,7 mil milhões USD.











