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África

África tem de se preparar para ciberameaças em larga escala impulsionadas pela IA

ADVERTE ARTIGO DO INSTITUTO DE ESTUDOS DE SEGURANÇA DE PRETÓRIA

A inteligência artificial é "como a Fórmula 1 à noite, talvez sem travões nos carros", afirmou o co-fundador da Anthropic, Jack Clark, depois de a directora geral do FMI comparar o desenvolvimento da IA à Fórmula 1

"África precisa de preparar-se para ciberameaças em larga escala impulsionadas pela IA", defende Karen Allen, consultora do Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês), com sede em Pretória, África do Sul, após um relatório da Anthropic revelar como os agentes maliciosos estão a utilizar os seus próprios agentes de inteligência artificial (IA) para conduzir ciberataques, operações de vigilância e campanhas de influência online.

"Os líderes africanos devem estar especialmente vigilantes, tendo em conta as taxas relativamente baixas de literacia digital no continente, as divisões digitais e o fosso entre o ritmo de disponibilidade da IA e a letargia regulamentar", escreve Karen Allen, evidenciando que os "cidadãos estão vulneráveis ao roubo de dados, à vigilância em grande escala e a serem enganados em campanhas de influência impulsionadas pela IA".

O relatório da Anthropic, segundo a ex-correspondente da BBC, focou-se nas utilizações maliciosas do seu agente de IA, Claude, utilizado por cerca de 30 milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo o relatório, Claude foi utilizado para conduzir ciberataques, vigilância e operações de influência. Os responsáveis incluem as instituições de propaganda estatal, os seus representantes, os indivíduos com motivações políticas e as entidades criminosas e comerciais. "Os estudos de caso incluíram o Quénia, a República Centro- -Africana, a República Democrática do Congo (RDC), o Sudão e o Mali.

A IA está a ser utilizada não só para criar conteúdo que engana os utilizadores, mas também como uma ferramenta de escalabilidade", alertou Allen, notando que várias das campanhas de influência estiveram ligadas a actores estrangeiros, sendo a Rússia um dos principais envolvidos.

No Mali, os modelos do Claude foram utilizados em operações de vigilância. Na República Centro-Africana, os investigadores detectaram uma rede de estações de rádio falsas a produzir conteúdos gerados por IA. E na RDC, o relatório da Anthropic afirma que o país fazia parte de uma rede para produzir notícias falsas.

Campanhas de manipulação

"Estas campanhas de manipulação de opinião, que tentam imitar o envolvimento orgânico, já foram utilizadas antes nas eleições do Quénia. A IA acelera a distribuição", resume Karen Allen, um aviso que serve também a Angola, que no próximo ano terá eleições gerais...

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