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Keir Starmer demite-se e Reino Unido caminha para o sétimo primeiro-ministro em dez anos

Demissão dos cargos de primeiro-ministro do Reino Unido e de líder do Partido Trabalhista

A história da política britânica dos últimos dez anos pode ser contada através de números: seis primeiros-ministros, nenhum dos quais conseguiu cumprir um mandato parlamentar completo. No mesmo período, o país teve ainda oito ministros dos Negócios Estrangeiros e sete ministros das Finanças, um retrato da crescente instabilidade que tem marcado a governação no Reino Unido.

Menos de dois anos após ter chegado ao poder, na sequência da vitória do Partido Trabalhista nas eleições legislativas de 4 de Julho de 2024, Keir Starmer anunciou esta segunda-feira a sua demissão do cargo de primeiro-ministro britânico. A saída ocorre num contexto de crescente contestação interna e de deterioração da popularidade do Governo.

"A questão que o meu partido se coloca é se sou eu a pessoa mais bem colocada para nos liderar nas próximas eleições legislativas. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e aceito essa resposta graciosamente", afirmou Starmer à porta da residência oficial em Downing Street, acrescentando que já comunicou a sua decisão ao rei Carlos III.

A renúncia, amplamente antecipada nos meios políticos britânicos, surge no mesmo dia em que Andy Burnham, antigo presidente da Câmara de Manchester e uma das figuras mais influentes do Partido Trabalhista, toma posse como deputado na Câmara dos Comuns, reunindo assim as condições para disputar formalmente a liderança do partido.

A crescente impopularidade de Starmer, agravada pelos maus resultados obtidos pelos trabalhistas nas eleições autárquicas de Maio, acabou por acelerar uma mudança de liderança que vinha sendo discutida nos bastidores há várias semanas.

Com esta demissão, o Reino Unido prepara-se para ter o seu sétimo primeiro-ministro em apenas uma década, um retrato da instabilidade política que tem marcado o país desde o referendo do Brexit, em 2016. Após a saída de David Cameron, seguiram-se Theresa May, Boris Johnson e Liz Truss, todos afastados por revoltas internas no Partido Conservador, enquanto Rishi Sunak foi derrotado nas urnas nas legislativas de 2024.

Starmer torna-se, assim, o sexto chefe de Governo a abandonar o cargo em dez anos, prolongando um ciclo de elevada rotatividade política que contrasta com a imagem histórica de estabilidade institucional britânica. Não por acaso, vários analistas têm assinalado que o Reino Unido passou a exibir níveis de volatilidade governativa tradicionalmente associados a democracias consideradas menos estáveis, uma ironia frequentemente sublinhada pela imprensa britânica.

Trump antecipa queda de Starmer: "Vai demitir-se, falhou redondamente"

Horas antes do que do desfecho da crise política que envolve Keir Starmer, o Presidente norte-americano, Donald Trump, antecipou nas redes sociais a saída do primeiro-ministro britânico, atribuindo-lhe responsabilidades pelo alegado fracasso em áreas-chave da governação.

"Keir Starmer vai demitir-se do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Falhou redondamente em duas questões muito importantes: imigração e energia (abram o petróleo do Mar do Norte!)", escreveu Trump na plataforma Truth Social. A mensagem terminava num tom irónico: "Desejo-lhe tudo de bom!".

As declarações surgem num momento de elevada tensão política em Westminster, onde se intensificam os sinais de contestação interna à liderança de Keir Starmer. A pressão dentro do Partido Trabalhista e do próprio Executivo terá atingido níveis considerados insustentáveis, alimentando a expectativa de uma saída iminente.

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