Dívida pública cresce mais de 8.800 milhões USD em apenas 6 meses
Apesar do forte endividamento registado no I semestre, a execução orçamental de áreas sociais criticas como a Educação ou a Saúde continua fraca, com execuções de 33% e 35%, respectivamente. Por outro lado, antevêem-se derrapagens em Defesa e Segurança, mas também em bens e serviços, que em apenas 6 meses já executaram mais de 80% do orçamento previsto para 2026.
O stock da dívida pública, que inclui dívida das empresas públicas TAAG e Sonangol, disparou 13% entre o final de 2025 e o I semestre deste ano, ao passar de 68.163 milhões USD para 76.971 milhões, de acordo com cálculos do Expansão com base nos relatórios de execução trimestrais do Orçamento Geral do Estado (OGE), publicados no site do Ministério das Finanças. Nestes primeiros seis meses do ano, o stock da dívida pública externa cresceu 6.267 milhões USD (+13%), enquanto o da interna subiu 2.541 milhões USD, o que dá um crescimento de 14% (ver gráfico). Contas feitas, o stock da dívida pública disparou 8.808 milhões USD.
Em termos de dívida externa, o maior crescimento resulta das duas emissões de Eurobonds, que em termos líquidos (parte das emissões foram para amortizar cupões anteriores de dívida soberana emitida em moeda estrangeira) se traduziu num aumento de 2.781 milhões USD para um total de 13.058 milhões USD. Já a dívida a instituições multilaterais cresceu 553 milhões USD para um total de 11.404 milhões USD. Este crescimento resultou, essencialmente, de financiamentos do Banco Mundial a Angola. Destaque também para o aumento em 404 milhões USD da dívida comercial angolana para um total de 19.902 milhões USD.
Em sentido contrário, destaque para a diminuição do stock de dívida bilateral (país a país), que encolheu 195 milhões para 2.785 milhões, bem como em relação aos fornecedores, que diminuiu 57 milhões USD para 3.759 milhões USD. Ainda dentro do perímetro da dívida externa, a dívidas das empresas públicas (Sonangol e TAAG) disparou 129% em apenas seis meses para um total de 4.927 milhões USD, devido a empréstimos contraídos pela petrolífera nacional, cuja dívida externa no final do I semestre era de 4.844 milhões USD.
E se o stock da dívida externa cresceu substancialmente nos primeiros seis meses do ano, o mesmo acontece com a interna, que disparou 14% para o equivalente a 21.136 milhões USD (+2.541 milhões USD face a Dezembro). Este crescimento resulta essencialmente de empréstimos do Banco Nacional de Angola (BNA) ao Governo, num total de 1.815 milhões USD, bem como de 897 milhões em títulos de divida, sobretudo Obrigações do Tesouro colocadas na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).
Eurobonds lidera lista
Contas feitas, no final do I semestre deste ano, os investidores dos Eurobonds mantinham- -se como os maiores credores de Angola, seguido pelos investidores da dívida pública em moeda nacional, cujos títulos estão parqueados na BODIVA.
Já o Banco de Desenvolvimento da China (BDC), que foi o maior credor angolano durante quase uma década, completa o top 3 e tem hoje por receber 6.143 milhões USD. De acordo com o Boletim Trimestral da Dívida Pública relativo ao II trimestre de 2026, a dívida a este banco está toda ela coberta por garantia do petróleo, o que acaba por motivar o Governo a antecipar o quanto antes a sua amortização. Só para se ter uma ideia, no final de 2021, o País devia ao Banco de Desenvolvimento da China 13.578 milhões USD, o que significa que essa dívida encolheu 55%, equivalente a menos 7.435 milhões USD.
Nunca foram reveladas as condições dos empréstimos às instituições chinesas, mas várias fontes admitem que se tratavam de operações a preços de mercado, bem inferiores, por exemplo, aos juros que Angola paga actualmente pelas suas emissões de Eurobonds, que são, por norma, o mecanismo de financiamento que instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem defendido para países como Angola. Posição que divide especialistas nacionais, já que embora se esteja a diminuir a dívida garantida, por outro lado está-se a contratar dívida com condições mais caras.
"A diferença é que, por norma, a China condicionou sempre os empréstimos para obras e projectos que depois tinham de envolver empresas de construção chinesas. Com os Eurobonds, Angola gasta onde quer e como quer", admite um consultor internacional consultado pelo Expansão.
Foi precisamente a partir de 2020 que a dívida à China come











