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Venezuela negoceia venda de petróleo aos EUA após ataque

PROCESSO É CONDUZIDO EM MODELOS SEMELHANTES AOS QUE VIGORAM COM A CHEVRON, DIZ ESTATAL VENEZUELANA

"Será que esta Casa Branca aprendeu a lição do Iraque?", questionam os editores do Financial Times, num editorial publicado terça-feira, um dia depois de o economista norte-americano Jeffrey Sachs instar os membros do conselho de segurança da ONU a agirem para travar a administração Trump e evitar a anarquia

"Poucos lamentarão a deposição de Maduro, mas a forma como ocorreu estabelece um precedente perigoso", resume o conselho editorial do Financial Times, terça-feira, em linha com o que disse António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, quando restam poucas dúvidas que foi o petróleo que motivou o ataque dos EUA a Caracas, realizado sem conhecimento do congresso, e que permitiu o sequestro de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores.

Esta sexta-feira, Trump reúne com os líderes das três principais petrolíferas americanas, para "discutir formas de revitalizar o sector petrolífero venezuelano, em crise". E na quarta-feira, a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) anunciou estar a negociar com os EUA a venda de petróleo, num processo "conduzido segundo modelos semelhantes aos que vigoram com empresas internacionais, como a Chevron, e que assenta numa transação estritamente comercial".

Enquanto a imprensa vai libertando, quase ao minuto, notícias sobre as intenções e os planos da Administração Trump, o conselho editorial do Financial Times caracteriza o ataque dos EUA como "uma intervenção imprudente" e alerta para as consequências.

Se a operação "representa uma clara vitória para o governo a curto prazo", os "riscos a longo prazo são enormes, incluindo o enfraquecimento da posição dos EUA como defensor das regras globais". "Da última vez que os EUA afastaram um ditador odiado à força, o seu maior erro foi deixar o país libertado com um vazio de poder. Será que esta Casa Branca aprendeu a lição do Iraque?", questiona o Financial Times.

Na primeira conferência após o ataque, em Mar-a-Lago, na Florida, Trump não falou em eleições e descartou a transição do poder na Venezuela para a oposição, nomeadamente Corina Machado, Nobel da Paz 2025, assumindo que o país será governado pelos EUA até "transição apropriada. Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, assumiu a presidência interina e afirmou que "nenhuma potência estrangeira" governa o país, abrindo, no entanto, a porta ao diálogo com os EUA numa carta aberta divulgada domingo.

Direito ou anarquia

"O que está em causa hoje não é o carácter do governo da Venezuela. A questão é saber se algum Estado-membro, através da força, da coação ou do estrangulamento económico, tem o direito de determinar o futuro político da Venezuela", afirmou o economista norte-americano Jeffrey Sachs, numa intervenção por videoconferência, para os membros do conselho de segurança da ONU, que reuniu na segunda-feira de emergência. Esta questão, segundo o presidente da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, "remete directamente para o artigo 2, parágrafo 4 da Carta da ONU, que proíbe ameaças ou uso da força contra a integridade territorial ou a independência de qualquer Estado". Sachs pediu aos membros do conselho de segurança que se empenhem para que os EUA cessem imediatamente o "uso da força" contra a Venezuela e que cumpra a carta das Nações Unidas, criada num "grande esforço da humanidade para colocar o direito internacional acima da anarquia internacional".

"A paz e a sobrevivência da humanidade dependem da carta das Nações Unidas manter-se como um instrumento vivo da lei internacional ou ser deixada definhar até se tornar irrelevante. Essa é a escolha que se apresenta a este conselho hoje", concluiu Sachs, que mais do que uma vez fez referência ao histórico de "acções secretas e manipulação política" dos EUA para provocar mudanças de regime noutros países, incluindo no Iraque, Líbia e na Síria. Justiça recua O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, enfatizou que "não há guerra contra a Venezuela ou o seu povo" e que as forças armadas norte-americanas realizaram uma operação "para prender dois fugitivos".

O diplomata argumentou que Maduro é um "narcotraficante indiciado" e líder de uma cruel organização terrorista, o Cartel de los Soles. Alegação que o The New Times desmonta. O jornal revela na terça-feira que o Departamento de Justiça "recuou perante a alegação" promovida pela administração Trump no ano passado para preparar terreno para afastar Maduro do poder, acusando- -o de "liderar" o Cartel los Soles.

Como refere o jornal, "los Soles" é "um termo coloquial, criado pelos media venezuelanos na década de 1990, para se referir a autoridades corrompidas por dinheiro do tráfico de droga". Sabendo que esta alegação cairia em tribunal, a acusação revista dos procuradores americanos vem dizer que los Soles se refere a um "sistema de clientelismo" e uma "cultura de corrupção" alimentada pelo dinheiro do tráfico de droga.

Leia o artigo integral na edição 858 do Expansão, sexta-feira, dia 09 de Janeiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

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