Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Opinião

AGOA ou nunca!

MILAGRE OU MIRAGEM ?

Não é de esperar que os produtores assumam os custos de penetrar em mercados altamente exigentes. Cabe ao Estado identificar sectores e produtos com maior potencial de inserção externa e apoiar com incentivos

No início deste mês, a imprensa nacional noticiou amplamente a prorrogação do acordo comercial preferencial AGOA (African Growth and Opportunity Act), que regula as relações comerciais entre os Estados Unidos da América e vários países africanos. Entre os beneficiários, além de Angola, constam, no universo dos PALOP, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Há vários anos temos vindo a defender, neste espaço, que Angola deveria tirar melhor proveito desta e de outras iniciativas que permitem o acesso preferencial a mercados mais sofisticados, não apenas o norte-americano, mas também a Zona Euro (através do EBA) e a China. O foco deve ser claro: promover exportações fora do sector petrolífero.

Estas oportunidades deveriam servir, em primeiro lugar, para identificar produtores nacionais, incluindo pequenos e médios, que já operam no mercado interno e demonstram potencial ou ambição para expandir para o exterior. Mesmo quando existe hesitação, a governação pode e deve desempenhar um papel mobilizador, criando condições e incentivos para que esses agentes económicos se sintam confiantes em dar esse passo.

Em segundo lugar, tais instrumentos podem funcionar como catalisadores de investimento directo estrangeiro, atraindo empresas interessadas em produzir localmente e exportar para esses mercados ao abrigo de regimes preferenciais. Importa recordar que o AGOA existe há mais de 25 anos. Considerando que a paz foi alcançada em 2002 e que, a partir daí, o País entrou num ciclo intenso de reconstrução, com muitos projectos estruturantes concluídos antes das eleições de 2008, podemos afirmar sem medo de errar que houve tempo suficiente para estruturar uma estratégia consistente de aproveitamento destas iniciativas. Afinal, até 2025, passaram-se 18 anos desde esse período de consolidação.

Contudo, os resultados permanecem modestos. Recorda-se o envio, em 2023, de um contentor com produtos alimentares "Feitos em Angola" para os EUA, iniciativa que mereceu destaque mediático. Desde então, pouco mais se soube sobre avanços concretos.

Entretanto, os dados oficiais, nomeadamente as Estatísticas do Comércio Externo do INE relativas ao 3.º trimestre de 2025, indicam que os combustíveis minerais continuam a representar 91,86% das exportações. A estrutura exportadora mantém-se, assim, fortemente concentrada.

(Leia o artigo integral na edição 863 do Expansão, sexta-feira, dia 13 de Fevereiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo