38,7 milhões USD para financiar cursos alinhados à economia
O Ministério do Ensino Superior encontrou novos modelos de financiamento para ajustar o ensino às necessidades do mercado de trabalho e da economia nacional, e impulsionar áreas técnico-científicos no País, reduzindo a influência dos cursos de "papel e caneta" neste subsistema de ensino.
O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) financiou 13 Instituições de Ensino Superior (IES) públicas, via Acordos Baseados em Resultados (ABR), com 38,7 milhões USD para impulsionar as Ciências, Tecnologia, Engenharias, Artes e Matemática (STEAM), cursos considerados alinhados com o desenvolvimento da economia nacional.
Os financiamentos foram atribuídos por dois concursos, que avaliaram várias instituições públicas. No primeiro, foram classificados o Instituto Superior Politécnico do Bengo (ISP- -BENGO), Instituto Superior de Ciências da Educação de Benguela (ISCED Benguela), Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul (ISPCS), Universidade do Namibe (UNINBE), Universidade José Eduardo dos Santos (UJES) e Universidade Rainha Njinga Mbandi (UNRM).
Cada uma destas instituições recebeu um apoio financeiro de 3,05 milhões USD, totalizando 18,3 milhões USD. No segundo concurso, foram habilitados o Instituto Superior Politécnico do Bié (ISP-Bié), Instituto Superior Politécnico do Soyo (ISP- -Soyo), Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED- -Huíla), Escola Superior Pedagógica do Cuanza Norte (ESPECN), Universidade Mandume Ya Ndemufayo (UMN), Universidade Katyavala Bwila (UKB) e a Universidade Agostinho Neto (UAN). Neste caso, cada instituição recebeu 3 milhões USD, perfazendo um total de 20,5 milhões USD.
O financiamento faz parte do Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (TEST), uma iniciativa do Governo, co-financiada pelo Banco Mundial, com 150 milhões USD, e pela Parceria Global para a Educação, com 50 milhões USD.
O objectivo do programa é elevar a qualidade da formação dos estudantes, promover maior equidade, alinhar os currículos às necessidades do mercado de trabalho e da economia nacional e reforçar a governança e a gestão do sector do ensino superior. Do montante disponibilizado aos 13 estabelecimentos de ensino, já foram desembolsados 710 mil USD, conforme dados do projecto TEST.
Em 10 anos, só 10% de graduados foram formados em engenharias
Recorde-se que só 1 em cada 10 licenciados nos estabelecimentos de ensino superior do País, entre 2014 e 2023, se graduaram em cursos ligados às engenharias, conforme cálculos do Expansão com base nos anuários estatísticos do MESCTI, que fazem referência ao período entre 2014/2024. Um dado que mostra o desalinhamento entre a formação de capital humano e as necessidades reais da economia nacional, desfasamento que compromete a tão desejada diversificação económica.
Neste período, graduou-se em Angola um total de 218.544 estudantes universitários. Contas feitas, nos últimos 10 anos, do número de formados, só 10% (19.907) se formaram em Engenharia e Tecnologia, Indústria da Transformação e Produção e TICs, apenas 1% (1.476) se graduaram em Ciências Agrárias e das Pescas, áreas consideradas alinhadas com o desenvolvimento da economia nacional.
Já os cursos de Ciências Sociais tiveram maior oferta formativa, ao lançar para o mercado 40% dos formados (82.289), seguidas das Ciências da Educação com 29% (60.808) e as Ciências Médicas e da Saúde com 15% (30.822). Outros cursos representaram 5% (9.958).
Os Acordos Baseados em Resultados (ABR) são um mecanismo de financiamento adoptado pelo Ministério do Ensino Superior, através do projecto TEST, para promover a transformação das Instituições Públicas de Ensino Superior do País. Diferente do modelo de financiamento tradicional, os ABR funcionam à base de metas e indicadores previamente acordadas para se obter resultados mensuráveis entre as partes envolvidas.











