Em Malanje agricultura familiar com perdas de 70% e empresarial na ordem de 30% devido à estiagem
Mais de 30 mil famílias que praticam agricultura familiar e de subsistência na província de Malanje tiveram prejuízos de 70% na sua colheita e agricultura empresarial na ordem de 30%, devido à falta de chuva num período que varia entre 30 a 40 dias.
A maior parte das famílias, que produzem feijão e mandioca, estão a retomar de forma lenta as suas produções com receio de que nos dias subsequentes exista outra paragem longa de chuva e cause ainda mais prejuízos à produção.
António Mateus Dala, agricultor de mandioca e feijão, lamenta a falta de chuva e avança que vai retomar a actividade para poder dar sustento à família e comercializar o resto dos produtos.
"Vendo e consumo o produto que sai do campo e quando não chove a situação em casa fica muito complicada porque não há o que comer e nem dinheiro para comprar alimentos", explica o agricultor e proprietário de um espaço de 70 por 80 metros quadrados, acrescentando que a principal dificuldade que enfrentam é o transporte e escoamento dos produtos para os centros.
Marta João, moradora da comuna Kateco kangola não aponta números dos prejuízos, mas afirma que são relevantes e sugere ajudas por parte do governo provincial, com as quais seria possível aos agricultores retomar a produção com mais satisfação.
"Vendemos uma banheira de bombó por 1.200 Kz e o quilo de feijão a mil", lembrando que muitos agricultores estão a trabalhar com hesitações devido à paragem das chuvas.
Armando Chipaco, chefe do departamento de agricultura e flora do gabinete provincial da agricultura de Malanje reconhece os prejuízos que a estiagem causou, sobretudo, na agricultura familiar e de subsistência e na agricultura empresarial.
"Devido à ausência de chuva por 30 a 40 dias tivemos de fazer uma avaliação dos danos causados pelas estiagens e conseguimos apurar que, aproximadamente, 35 mil famílias da agricultura familiar ficaram afectadas nas suas culturas de milho, feijão, mandioca e hortícolas diversas".
Entretanto, para mitigar o prejuízo na agricultura familiar, o responsável prometeu que neste ano vão ser apoiadas 146.654 famílias com inputs e sementes para retomarem a sua produção no ano agrícola 2021/22.
Olhando para agricultura empresarial, Armando Chipaco explicou que tiveram perdas na ordem dos 30% e por serem empresas com tecnologia avançada conseguiram mitigar, situação diferente do sector familiar.
"Nem tudo está mal porque as fazendas que fizeram as suas produções nos meses de Dezembro e realizaram a colheita nos meses de Janeiro e Fevereiro tiveram êxitos na ordem dos 60% do rendimento, ou seja, renderam sete a oito toneladas por hectare "
Questionado sobre os outros tipos de produtos em que a província deveria apostar para se tornar forte na região, Armando Chipaco sublinhou que Malanje, tendo a mandioca como base, deveria apostar na produção de cereais, no arroz, hortícolas e frutícolas, para garantir a segurança alimentar e ter um nível suficiente para a exportação.
Para os agricultores nacionais serem fortes e competirem com agricultores de outros países é preciso que a banca preste mais atenção aos projectos porque as burocracias que impõem só prejudicam o desenvolvimento da agricultura nacional, explica.
Quanto aos programas para apoio às famílias, está em andamento o programa FADA que tem como objectivo apoiar as famílias no transporte dos produtos.
A província de Malanje controla 172 fazendas das quais 15 classificadas como grandes fazendas que empregam mais de 200 trabalhadores e as pequenas que empregam entre 10 a 15 pessoas.











