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Angola

Jú Martins oficializa recandidatura de João Lourenço e avisa: "ser candidato do MPLA à Presidência da República não é para quem quer"

Esta segunda-feira

João Lourenço formalizou esta segunda-feira a sua recandidatura à presidência do MPLA, através do seu mandatário João de Almeida Martins, "Jú Martins" , que entregou à subcomissão de candidaturas do IX Congresso Ordinário do partido um total de 11.118 subscrições recolhidas nas 21 províncias do País.

A formalização da candidatura surge dias depois de João Lourenço ter manifestado, na última reunião do Bureau Político do Comité Central, a intenção de permanecer na liderança do MPLA. A escolha de João de Almeida Martins como mandatário da recandidatura também não passou despercebida nos meios políticos.

Jú Martins, actual secretário do MPLA para os Assuntos Político-Eleitorais, é apontado como uma das figuras centrais da estratégia organizativa e eleitoral do partido, mantendo influência e aceitação desde a liderança de José Eduardo dos Santos. Nos bastidores políticos, a sua nomeação é interpretada como uma escolha estratégica de João Lourenço para assegurar estabilidade, controlo organizativo e continuidade da linha política da actual direcção do partido.

Assim, ao proceder à entrega do processo de candidatura, Jú Martins deixou sinais claros do ambiente político que poderá marcar a corrida interna até ao congresso do próximo ano. Em declarações à imprensa, o mandatário sublinhou que "ser candidato do MPLA à Presidência da República não é para quem quer", mas sim para quem o partido considerar "o mais adequado para conduzir esta máquina até à vitória em 2027".

Falando aos jornalistas, após a formalização da candidatura, Jú Martins defendeu a necessidade de o MPLA manter uma coordenação política "estável e coerente" entre a liderança partidária e a governação. "O MPLA precisa de ter um fio condutor estratégico único", afirmou. As declarações surgem num momento em que aumenta o debate político em torno da continuidade de João Lourenço na liderança do MPLA após o fim do seu mandato presidencial.

Questionado sobre o facto de o actual presidente do partido acumular as funções de coordenador da preparação do IX Congresso Ordinário e, ao mesmo tempo, ser pré-candidato à liderança do MPLA, João de Almeida Martins respondeu que João Lourenço deverá abdicar da coordenação da comissão preparatória nas vésperas da realização do conclave.

No entanto, a Constituição da República, impede o actual Chefe de Estado de concorrer a um terceiro mandato consecutivo nas eleições gerais de 2027.

Questionado sobre os riscos de uma eventual bicefalia, termo usado para descrever a separação entre a liderança do partido e a chefia do Executivo, Jú Martins rejeitou as interpretações em torno do tema.

"Bicefalia são duas cabeças num único corpo", afirmou, argumentando que os cargos de Presidente da República e presidente do partido pertencem a órgãos distintos, com competências igualmente diferentes. Segundo explicou, o conceito ganhou maior relevância em Angola nos anos 90, durante o período em que coexistiam as figuras de Presidente da República e Primeiro-Ministro, uma configuração que, à época, gerava tensões na condução do poder executivo.

Até ao momento, já manifestaram intenção de concorrer à liderança do MPLA João Lourenço, Higino Carneiro, José Carlos Almeida e António Venâncio. Já Irene Neto, filha do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, não descartou essa possibilidade, em entrevista ao Novo Jornal.

O IX Congresso Ordinário do MPLA está agendado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, sob o lema "MPLA - Compromisso com o Povo e Confiança no Futuro".

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