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Angola

Exportações do PRODESI sobem 74%, mas longe de substituir importações

IMPORTAÇÕES VALEM 15 VEZES MAIS DO QUE AS EXPORTAÇÕES

Balança comercial dos produtos PRODESI continua deficitária. Nos primeiros 9 meses, cada dólar exportado correspondeu a 15 USD gastos em importações. Programa criado para impulsionar a produção nacional está longe de cumprir os objectivos para os quais foi criado

As exportações de produtos abrangidos pelo Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) dispararam 74% para 117,8 milhões USD nos primeiros nove meses deste ano, quando comprado com os 67,6 milhões USD do período homólogo, o que representa um aumento de 50,2 milhões USD, de acordo com cálculos do Expansão com base nos dados da Administração Geral Tributária (AGT). Contas feitas, os 117,8 milhões USD alcançados até Setembro de 2026 já superam os 102,9 milhões USD registados ao longo de todo o ano passado.

Na base estão, sobretudo, as exportações de farinha de trigo, que mais do que duplicaram, passando de cerca de 10 milhões USD para 21,3 milhões USD, um aumento de 11,4 milhões USD e da farinha de milho, cujas vendas ao exterior cresceram 412%, para 11,0 milhões USD, mais 8,9 milhões USD. Estes produtos estão entre os principais bens exportados pelo País no âmbito do programa, a par do varão de aço. Destaque também para as exportações de ovos, registaram um bom desempenho, passaram de 338,9 mil USD para cerca de 10,0 milhões USD, um aumento de aproximadamente 9,6 milhões USD, e surge na sequência do início das exportações de ovos pelo País que começaram as ser registadas no quarto trimestre ano passado, com o primeiro envio de ovos fertilizados para o Uganda, através de uma sociedade avícola na qual o Fundo Soberano de Angola detém participação.

Entretanto, as exportações representam apenas 7% dos 1,14 mil milhões USD gastos com importações no período em análise, o que significa que as vendas ao exterior são aproximadamente 15 vezes inferiores às compras. Ou seja, por cada dólar gerado com estas exportações, Angola precisa de gastar pelo menos 15 USD para comprar produtos ao exterior.

Mais do que o crescimento percentual das exportações, os dados mostram que o País continua fortemente dependente do mercado externo. A diferença entre o que Angola vende e o que compra permanece demasiado expressiva para que se possa falar numa substituição de importações com impacto significativo sobre a balança comercial. A

diversificação começa a produzir alguns resultados, mas avança a um ritmo ainda insuficiente perante a dimensão da procura interna. O crescimento das exportações em valor, contudo, não foi acompanhado por um aumento das quantidades vendidas ao exterior. Pelo contrário, nos primeiros nove meses do ano, Angola exportou 184,4 mil toneladas, menos 57% face às 430,0 mil toneladas registadas no período homólogo. Para esta quebra contribuiu, sobretudo, a redução das exportações de varão de aço, um dos produtos com maior peso nas vendas externas abrangidas pelo PRODESI. Só para se ter uma ideia, entre Janeiro e Setembro, as quantidades exportadas deste produto afundaram 90% para 31,3 mil toneladas, gerando um encaixe de apenas 18,1 milhões USD, ainda assim mais 1,1 milhão USD do que no período homólogo.

Outros produtos também registaram quedas expressivas nas quantidades exportadas. O leite, por exemplo, passou de 1,3 mil para 986 toneladas, uma redução de 24%, enquanto o valor das vendas ao exterior caiu 19%, para 5,1 milhões USD. Nos restantes produtos, as quantidades exportadas recuaram 48%, para 34,4 mil toneladas, embora o valor gerado tenha aumentado 2,1 milhões USD, para 22,6 milhões USD.

O facto é que a balança comercial dos produtos abrangidos pelo PRODESI continua deficitária, embora apresente uma ligeira melhoria face a 2020, quando as importações eram 38 vezes superiores às exportações. Apesar desta evolução, o País continua a comprar ao exterior muito mais do que vende e a gastar mais dinheiro em importações do que no início do programa...

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