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BFA, BAI e Standard "açambarcam" quase metade das divisas vendidas pelo Tesouro

COMPRA DE DÍVIDA PÚBLICA ABRE PORTA ÀS DIVISAS DO TESOURO

Continua o ciclo "validado" pelo Ministério das Finanças, em que comprar dívida pública dá acesso a dólares. Os que já são grandes compram mais dívida, obtêm mais dólares, ganham mais margem e crescem mais. É um ciclo que se auto-alimenta, num mercado que o FMI considera ser demasiado concentrado.

BFA, BAI e Standard ficaram com 46% das divisas que o Tesouro Nacional colocou no mercado entre o III trimestre de 2024 e o mesmo período de 2026, equivalente a 3.284,4 milhões USD. Juntamente com o BNA, que foi o canal privilegiado pelo Tesouro, ficaram com 72% do total de 7.149,5 milhões USD em divisas vendidas, de acordo com cálculos do Expansão com base em dados do Ministério das Finanças. Tesouro continua a favorecer bancos que mais compram dívida pública.

Desde o III trimestre de 2024 que o MinFin publica no seu site as vendas trimestrais que o Tesouro Nacional faz a cada banco e, desta forma, é possível constatar quem fica com quanto. O BNA lidera a lista, seguindo-se BFA, BAI e Standard Bank (ver gráfico). Sem contabilizar as vendas ao BNA, o Tesouro Nacional colocou um total de 5.263,5 milhões USD em 22 bancos (o Finibanco é hoje o Access Bank). Ao todo, BFA, BAI e Standard ficaram com 62% das divisas colocadas nos bancos neste período. Os outros 19 bancos repartiram 38% (cerca de 1.979 milhões USD), o que dá uma média de 104 milhões por banco.

Cada um dos três grandes ficou, em média, com cerca de 1.095 milhões, mais de dez vezes mais. Há uma razão que explica o domínio destes três bancos comerciais no acesso a divisas do Tesouro. Há cerca de um ano, a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, afirmou publicamente que os bancos que compram mais títulos de divida pública acabam por beneficiar de melhor acesso na compra a divisas do Tesouro.

"Nós colocamos as divisas que temos disponíveis no mercado em função da liquidez que cada um tem disponível. Mas temos, naturalmente, aqueles que chamamos Operadores Preferenciais de Títulos, que dão a mão ao Estado no mercado primário quando o Estado precisa de se financiar e nós, em contrapartida, também quando eles precisam de divisas e nós temos, damos uma atenção diferenciada", disse a ministra no ano passado...

Leia o artigo integral na edição 900 do Expansão, sexta-feira, dia 30 de Outubro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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