FMI diz que reformas abrandaram e sugere consolidação orçamental imediata
Apesar dos ganhos com a alta de preços do petróleo, o crescimento da despesa pública em bens e serviços e em investimentos agravou ainda mais o défice público, que só nos primeiros seis meses do ano rondou os 3,9 biliões Kz. Vêm ai eleições e nada aponta a cortes na despesa. A factura paga-se depois.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a reiterar que as reformas fundamentais para reduzir a dependência do petróleo abrandaram e sugeriu que o Governo deve adoptar uma "consolidação orçamental imediata", de acordo com um comunicado da instituição multilateral sobre a visita a Luanda no âmbito da Avaliação Pós-Financiamento (PFA).
"Um ambiente externo favorável contribuiu para uma posição externa mais sólida e para o fortalecimento da actividade não petrolífera, para um melhor acesso aos mercados e para a descida da inflação. Ao mesmo tempo, abrandou o ritmo do ajustamento macroeconómico e o ímpeto das reformas, essenciais para reduzir a dependência do petróleo e as vulnerabilidades de Angola", de acordo com o economista do FMI, Mika Saito, citado no comunicado.
O líder da equipa que esteve em Luanda no início de Setembro para avaliar a capacidade de pagamento da dívida à instituição, que ronda actualmente os 3,2 mil milhões USD, considera que as perspectivas continuam sujeitas a riscos de revisão em baixa, incluindo a volatilidade dos preços do petróleo, condições de financiamento externo mais restritivas e atrasos na consolidação orçamental e na implementação das reformas. E, por isso, é importante adoptar medidas.
"Manter a estabilidade macroeconómica duramente conquistada e os ganhos de produtividade no sector não petrolífero, neste mundo propenso a choques, exige uma consolidação orçamental imediata, uma política monetária prudente e flexibilidade cambial. Reformas estruturais adicionais para melhorar o ambiente de negócios, reforçar a governação, atrair investimento estrangeiro e diversificar a economia são importantes para um crescimento sustentável", acrescenta Mika Saito.
Já no ano passado, a equipa do FMI que esteve em Luanda tinha deixado vários recados no comunicado sobre a visita, e que é publicado sempre antes de um report mais exaustivo. Este ano, os recados foram ligeiramente mais suaves. Só para se ter uma ideia, no ano passado o FMI deixou 17 recados, entre eles alertas para...
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