Luanda sobe no ranking de startups, mas continua na cauda no ambiente para inovadores
O relatório aponta que Angola é dos países mais difíceis para realizar lucros com uma startup. No capítulo da confiança de mercado, que avalia a credibilidade institucional do país, Angola ocupa o sétimo lugar entre os piores classificados a nível global. O ecossistema é imprevisível e inseguro para fins de investimento.
O ecossistema de startups de Luanda é o que mais cresce em África, registando uma taxa de crescimento de 76,9% este ano, superior à de Lagos, Cairo e Cidade do Cabo, as três cidades do continente com ecossistemas mais consolidados para negócios disruptivos.
Paradoxalmente, Angola figura também entre os países com o ambiente mais difícil do mundo para iniciar e sustentar um negócio inovador. Este contraste aparece no Índice Global de Ecossistemas de Startups (GSEI) e no Índice de Ambiente de Negócios para Inovadores (IBEI), ambos do centro de investigação StartupBlink, com sede em Israel, a que o Expansão teve acesso.
A contradição do País nos dois índices não é acidental, mas reflexo directo da realidade económica e social. Angola tem cerca de 65% da sua população com menos de 25 anos, a faixa etária geralmente mais propensa à inovação e ao empreendedorismo. Combinada com as baixas oportunidades de emprego formal, esta demografia gera uma pressão estrutural para a criação de centenas de novos negócios, incluindo startups.
Assim, o crescimento do ecossistema pode compreender-se como uma resposta à necessida de e não apenas uma expressão genuinamente de oportunidade. O problema é que o ambiente regulatório, financeiro e institucional não acompanha esse impulso, tornando-se a principal fragilidade sistémica do ecossistema. Estima-se que a taxa mundial de mortalidade de startups ronda os 90% devido ao alto risco destes tipos de negócios. Em ecossistemas maduros, esse número já é preocupante. Em ambientes de negócio mais fragilizados, como o angolano, a probabilidade de sucesso de negócios escaláveis e de base tecnológica é ainda mais reduzida.
Para Emerson Paim, CEO e co-fundador da Kubinga, o facto de a economia ser cerca de 80% informal transforma oportunidades em ideias interessantes e torna possível fazer crescer a base de novas startups, sobretudo quando o ecossistema é relativamente novo. "Mas na beleza da estatística, os pontos percentuais podem ser enfatizados com base no destaque que se quer atribuir a determinada variável da equação", disse o founder ao Expansão. O GSEI analisou os ecossistemas de 122 países, dos quais apenas 100 entram no ranking e 22 disputam uma vaga, e 1.556 cidades no mundo.
Este índice mede o volume dos actores do ecossistema com parâmetros como o número de startups, a procura real sobre o serviço ou produto, o número de investidores, os espaços de co--working e o número de aceleradoras e incubadoras no mercado. Incide também sobre a qualidade do ecossistema, como o investimento acumulado em startups, o número de unicórnios (startups avaliadas em mais de mil milhões USD e que não estejam cotadas em bolsa) criados e a realização de lucros ou...











