"É na infância que se define quem será o cidadão íntegro e o que procura as facilidades"
Preocupada com a nação que vai deixar para as futuras gerações e as lacunas na educação cívica, a jurista e especialista em compliance estreou- -se na literatura com o livro "Compliance na Raiz", para ensinar aos mais novos princípios e valores que não só moldam o carácter, mas que servem de base para o desenvolvimento da soberania económica dos países.
"Compliance na Raiz" marca a sua estreia na literatura. Como surgiu o livro?
Ao longo da minha trajectória profissional, percebi que o nosso País e o nosso tecido empresarial gasta anualmente somas astronómicas de kwanzas em auditorias, processos de devolução de fundos, sistemas de videovigilância, correcção de inconformidades de diversas naturezas e na criação de direcções de compliance, muitas vezes excessivamente complexas, dentro das empresas. Isso leva o País a concentrar-se na remediação coerciva, tentando controlar ou punir o indivíduo adulto. O mercado angolano já está habituado a tentar endireitar troncos de árvores que cresceram tortos, o que constitui um processo financeiramente asfixiante e com taxas de sucesso muito reduzidas.
Essa foi a motivação?
Em função dessas experiências e dos trabalhos que tenho desenvolvido nas áreas da formação e da consultoria, bem como através da organização da Conferência Angolana de Compliance, surgiu a ideia de escrever um livro que abordasse conceitos essenciais para a geração actual e para as gerações futuras. Quase todos os debates terminavam com a conclusão de que precisamos de uma "abordagem relacionada com o carácter". Isto é, no fundo, uma questão de educação, sobretudo quando falamos das gerações mais novas. Para promovermos uma transformação cultural e económica no País, precisamos de adoptar uma abordagem geracional.
Teve uma boa recepção por parte do público?
A maioria das pessoas que teve contacto com o livro considerou a ideia inovadora e necessária, porque nele abordamos a construção de uma geração angolana mais comprometida com o compliance e com as boas práticas corporativas. O livro não fala apenas de leis, regulamentos e decretos. Fala também de ética, prestação de contas, comportamento e carácter.
Depois desta estreia, pretende continuar a escrever?
Com certeza. Vou continuar a escrever para crianças e para adultos, porque constatei que, no nosso mercado, ainda existe uma escassez de literatura relacionada com o compliance e o controlo interno. Por isso, vou dedicar-me a escrever sobre essas matérias, sem deixar de lado a educação das futuras gerações, porque a literatura é, e continuará a ser, a base do nosso ecossistema....















