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Angola

Mercado do Kikolo põe fim a prática de cobrança ilegal do "carapau"

NO MUNICÍPIO DO CACUACO

Jovens que optam pela prática de "cobrança" vêem nessa actividade uma forma de sustento. Direcção do Kikolo diz que o lotador que for apanhado a fazer cobranças ilegais vai conhecer a mão da justiça. Compradores com opiniões diferentes sobre a cobrança ilegal do "carapau".

A Administração do Mercado do Kikolo pôs fim à prática de cobrança ilegal do "carapau", que vinha sendo praticada nas imediações da praça por lotadores locais. A medida surge após várias denúncias de clientes, que se queixavam da cobrança indevida como forma de extorsão e pressão.

A expressão "carapau" não se refere ao peixe, trata-se de um termo usado para designar aqueles que exigem uma "gorjeta" quando ajudam a colocar a carga ou os produtos dos compradores nos veículos. Por esse gesto, que deveria ser voluntário, tem sido cobrado um valor entre 200 a 1.000 Kz, dependendo do volume da carga.

Por exemplo, no caso de dois sacos cheios de compras, o valor exigido varia entre 200 a 300 Kz, montante equivalente ao preço de uma viagem de táxi. Essa cobrança, considerada abusiva pelos consumidores, representa um peso adicional no orçamento das famílias, sobretudo num contexto de perda de poder de compra. Apesar da proibição, ainda é comum ver jovens a cobrar o "carapau" aos compradores do mercado do Kikolo.

A prática persiste de forma visível, mesmo diante da presença de fiscais e agentes policiais, revelando a dificuldade em erradicar totalmente este tipo de cobrança ilegal. De acordo com a direcção do Mercado do Kikolo, o fim da prática do "carapau" é devolver maior transparência e segurança ao funcionamento do mercado, garantindo que os vendedores e compradores possam exercer a sua actividade sem constrangimentos adicionais.

"O jovem que for apanhado a fazer cobranças ilegais vai conhecer a mão da justiça", advertiu a direcção do Mercado do Kikolo, esclarecendo que a proibição de cobrança do "carapau" não abrange as placas de taxistas. Ou seja, os lotadores devem continuar com o seu trabalho de organizar e encher os táxis.

Segundo João Gomes, mais conhecido por Farai, a cobrança do "carapau" não é obrigatória, mas sim opcional. Há quem considere que pode servir como forma de ajuda, enquanto outros rejeitam pagar - e ambas as posições são compreendidas. "Aqui ninguém obriga a pagar carapau. As pessoas dão o que têm e se quiserem. Na verdade, fazemos isso para nos sustentar. Não roubamos de ninguém", explicou Farai, um dos jovens que realiza a cobrança do "carapau" no Kikolo.

Cobranças ilegais dividem opiniões entre compradores

O Expansão ouviu vários clientes para perceber como tem sido a cobrança do "carapau" e se consideram a prática correcta. Apesar de ser ilegal, há quem defenda a sua manutenção, alegando que muitos jovens sobrevivem graças a essas "gorjetas". É o caso de Jorge Pedro, que frequentemente vai ao mercado do Kikolo para adquirir produtos destinados à revenda. Para ele, a cobrança do "carapau" não constitui crime.

"Não vejo mal algum estes jovens cobrarem 200 ou 300 Kz para tirarem os nossos produtos do chão e colocarem no táxi. É preciso reconhecer o esforço dos outros, pois eles não são obrigados a fazer nada de favor", defendeu. Já Júlia Pedro do Rosário discorda, afirmando que a solidariedade entre as pessoas tem desaparecido.

"Para ajudar alguém não é preciso cobrar. Quem pede ajuda pode dar alguma coisa por vontade própria, mas não é correcto aceitar o pedido e depois estabelecer um preço pelo gesto. E não nos podem obrigar a pagar.", criticou. Os jovens que recorrem a esta prática vêem nela uma forma de sustento, já que estão privados de oportunidades formais de emprego. A situação evidencia, ao mesmo tempo, a carência de políticas públicas eficazes para a criação de postos de trabalho e inclusão social, deixando claro o dilema entre sobrevivência e...

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