Vagas da UAN caem 19%, menos 920 do que no ano lectivo anterior
A maior universidade do País, que lutava para recuperar a marca das 5 mil vagas/ano conquistadas no ano académico 2023/2024, perde fôlego e fica aquém com 3.900 vagas. Faculdade de Ciências Naturais não cumpre orientação do INAAREES e, mesmo assim, abre portas a 25 novos alunos no curso de Geologia
O número de vagas da Universidade Agostinho Neto (UAN) reduziu 19%, no ano lectivo 2026/2027, para 3.900 estudantes, uma perda de 920 novos estudantes em relação às 4.820 vagas disponíveis no ano lectivo anterior. A redução do número de vagas da Universidade Agostinho Neto é uma das consequências da avaliação do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), entre Julho e Setembro de 2025, que levou ao encerramento de mais de 50% dos cursos das Instituições de Ensino Superior (IES).
No geral, os cursos da área das ciências sociais foram os que mais reprovaram. A título de exemplo, das 57 universidades e institutos avaliados que ministram cursos de Direito, 29 deles reprovaram. Ou seja, mais de metade não atingiu o limiar mínimo de 60% de qualidade exigido para a acreditação dos cursos. A Faculdade de Direito da UAN não consta nesta lista, por atingir a pontuação de 60,26%.
Segundo os resultados do INAAREES, os cursos que não devem receber novos estudantes na maior universidade pública do País são os de Geologia, Física, Matemática, Biologia, Engenharia Geográfica, Ciências da Computação, Geofísica, Meteorologia e Química, todos da Faculdade de Ciências Naturais.
Ao disponibilizar 25 vagas para admitir novos estudantes no curso de Geologia, a Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Agostinho Neto não cumpre com a orientação de encerrar temporariamente o curso para melhorias. Recorde-se que este curso só recebeu 52,97% na avaliação, que exige um mínimo de 60% para receber novos alunos.
Encontram-se ainda na linha vermelha os cursos de Sociologia, História, Psicologia e Ciência Política, da Faculdade de Ciências Sociais. Os cursos de Língua e Literatura em Língua Inglesa e Portuguesa, Secretariado Executivo e Comunicação Empresarial, da Faculdade de Humanidades. Contabilidade e Gestão, os dois da Faculdade de Economia. Gestão de Turismo, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo, e o curso de Ciências da Informação.
Assim, para o novo ano lectivo, que arranca em Outubro, o Instituto de Ciências da Saúde (ICISA) tem o maior número de vagas, ao abrir as portas a 850 novos alunos, seguido da Faculdade de Humanidades (FH) com 750, Faculdade de Engenharia (FE) com 745 e a Faculdade de Ciências Sociais (FCS) com 610 vagas. Já o Instituto de Educação Física e Desporto (IEFD), a Faculdade de Economia (FEC) e a de Medicina (FM) vão receber, cada uma, 200 novos estudantes, enquanto a Faculdade de Ciências Naturais (FCN) só vai receber 25 alunos. De fora fica a Escola Superior de Hotelaria e Turismo (ESHOTUR) que não está autorizada a admitir novos alunos.
Num universo de 27 cursos espalhados pelas unidades orgânicas da universidade, os cursos de Direito e Língua e Literatura Francesa, com 300 vagas cada uma, são os que mais vagas oferecem, seguidos dos cursos de Psicologia Clínica com 280 vagas e o de Língua e Literaturas Africanas com 250.
Entre os cursos que vão receber menos estudantes constam a Engenharia Química, de Minas e a de Petróleos, aberta a 50 novos alunos cada, Arquitectura com 45 vagas e o curso de Geologia que pode admitir 25 novos alunos.











