"Não basta produzir mais energia. É necessário garantir que ela esteja disponível, seja transportada com segurança e distribuída com eficiência"
O secretário de Estado para a Energia, Arlindo Carlos, defendeu hoje, durante o IV Fórum Energia e Ambiente do Expansão, que o aumento da produção de electricidade deve ser acompanhado por melhorias na disponibilidade, transporte e distribuição, de forma a garantir maior qualidade e sustentabilidade no fornecimento.
"O desafio é, portanto, claro: não basta produzir mais energia; é necessário garantir que ela esteja disponível, seja transportada com segurança, distribuída com eficiência e chegue aos consumidores com qualidade e sustentabilidade", afirmou durante a sessão de abertura do fórum, que tem como tema "A Reforma do Sector Eléctrico e PPPs".
Por outro lado, Arlindo Carlos aponta que a maior disponibilidade de electricidade deve contribuir para a criação de iniciativas que impulsionem o crescimento do PIB nacional e o combate à pobreza, através da criação de mais postos de trabalho, entre outros benefícios.
Assim, para responder a este desafio, avançou o responsável, o Executivo está a actuar em várias frentes, nomeadamente na consolidação da actual base de geração, através da modernização da Central de Capanda, entre outras infra-estruturas, bem como na melhoria da eficiência e no funcionamento das centrais solares durante mais horas, para além do período de insolação directa.
"Estamos igualmente a avançar com soluções de modernização e armazenamento de energia predominantemente fiável e limpa, incluindo sistemas de armazenamento de electricidade (BESS)", afirmou.
Paralelamente ao esforço público que, segundo o governante, conduziu aos resultados alcançados, o Executivo criou condições de natureza legal e regulatória para permitir que o sector privado invista em todos os segmentos da cadeia de valor do sector eléctrico, em particular na produção de electricidade através das modalidades de Produtores Independentes de Electricidade (IPP) e Parcerias Público-Privadas (PPP).
Já no domínio do acesso, projectos solares off-grid, como as centrais solares de Cazombo e Luau, recentemente inauguradas, demonstram, segundo Arlindo Carlos, o potencial das soluções descentralizadas para acelerar a electrificação nacional e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, sobretudo nas zonas ainda não integradas no Sistema Eléctrico Público Interligado.
Paralelamente, como referiu, Angola está a avançar na estruturação de importantes interligações energéticas regionais, nomeadamente com a Namíbia, no âmbito da Southern African Power Pool (SAPP), e com a República Democrática do Congo, no quadro da Power Exchange for Central Africa (PEAC), reforçando a integração regional e criando novas oportunidades para o comércio de electricidade.
O secretário de Estado destacou também uma nova abordagem relativamente aos grandes consumidores industriais. De acordo com a estratégia estabelecida pelo Ministério da Energia e Águas, novas solicitações de cargas industriais electro-intensivas iguais ou superiores a 50 MW deverão considerar mecanismos de co-investimento e/ou autoprodução de nova capacidade de geração, incluindo através de Produtores Independentes de Electricidade (IPPs).











