Crise dos combustíveis e alta de juros lá fora pressionam Angola
Há um risco crescente de a recente crise energética se transformar numa crise económica global. Há escassez de gasóleo em todo o mundo e a gasolina pode ser o rastilho que falta a um cenário nada animador. Preços vão continuar a subir.
Os conflitos que envolvem o Irão e a Ucrânia estão a perturbar algumas das principais rotas de abastecimento e a capacidade mundial de refinação, com alguns países a aplicar já planos de contingência como racionamento de combustíveis ou a suspender a sua exportação, ao mesmo tempo que a alta de preços do petróleo e de refinados empurra o mundo a passos largos para uma crise económica, cujo impacto depende do tempo que durarem estes conflitos. Países como Angola, dependentes de financiamentos externos e de importação de bens alimentares e de combustíveis, estão sob pressão. A oferta de gasóleo a nível mundial está em baixo numa altura em que se antevê um pico de maior procura, uma vez que o hemisfério norte começa agora a entrar no Inverno e necessita deste combustível para aquecimento.
E a escassez de produção e alta de preços do gasóleo em alguns mercados começa a ter uma consequência inesperada: já há refinarias que estão a privilegiar a produção de diesel e, ao fazê-lo, estão a reduzir a disponibilidade de gasolina, segundo avançou esta semana o banco de investimento Goldman Sachs, que aposta no crescimento dos preços da gasolina nos próximos tempos. Está, assim, em ebulição um cenário que pode afectar ainda mais a economia global.
A alta dos preços dos combustíveis tem provocado uma onda inflacionista sobre os preços dos principais bens de consumo em todo o mundo, levando os bancos centrais de algumas das principais economias a subirem as taxas de juro directoras, precisamente com o objectivo de travar a inflação. Foi assim com o Federal Reserve (Fed) e com o Banco Central Europeu, entre outros. Mas em Angola, por outro lado, tem-se verificado o oposto. O BNA já contabiliza 6 desapertos consecutivos de política monetária desde Novembro de 2025, e a inflação homóloga em Agosto (8,8%) foi a mais baixa desde Maio de 2015 (8,9%).
No caso angolano, esta descida da inflação está assente, sobretudo, em questões administrativas, já que a taxa de câmbio do dólar está praticamente parada nos 912 Kz desde Outubro de 2024, e como os preços dos combustíveis são subsidiados pelo Estado, os aumentos de preços verificados nos mercados internacionais não pesam no bolso do consumidor angolano mas sim no dos cofres públicos...











