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Economia

Famílias estão menos pessimistas face à evolução da economia, mas confiança continua em baixo

INDICADOR DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR NO II TRIMESTRE

Números do INE dizem que as famílias continuam a considerar que a situação económica é difícil, mas acreditam que o ritmo de deterioração poderá estar a abrandar. Ou seja, estão hoje menos pessimistas do que estavam há um ano, num contexto de queda da inflação e crescimento económico, embora persistam dúvidas.

As famílias angolanas estão menos pessimistas em relação à evolução da economia no curto prazo, com o Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) a subir pelo sexto trimestre consecutivo, para -6,9 pontos no segundo trimestre deste ano, uma melhoria de 3,6 pontos percentuais face ao primeiro trimestre. Quando comparado com o período homólogo, o pessimismo recuou 9,5 pontos percentuais, segundo cálculos do Expansão com base nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Apesar da evolução positiva, o indicador permanece em terreno negativo, o que significa que o número de consumidores pessimistas continua a superar o dos optimistas. Aliás, o ICC mantém-se negativo há vários anos. Desde, pelo menos, 2019, os agregados familiares angolanos têm apresentado uma avaliação desfavorável das perspectivas económicas de curto prazo, revelando um sentimento persistente de desconfiança em relação à evolução da economia.

Em termos práticos, as famílias continuam a considerar que a situação económica é difícil, mas acreditam que o ritmo de deterioração poderá estar a abrandar. Ou seja, estão hoje menos pessimistas do que estavam há um ano.

Trata-se do nível mais baixo de pessimismo em três anos, sendo necessário recuar ao terceiro trimestre de 2023 para encontrar um nível de pessimismo inferior ao registado no segundo trimestre deste ano. No entanto, o nível mais baixo de pessimismo dos consumidores foi registado em 2022, quando o indicador atingiu -3,3 pontos, num ano marcado pelas eleições gerais. O sentimento viria a deteriorar-se posteriormente, tendo o ICC chegado aos -19,7 pontos no final de 2024. Mas desde Janeiro de 2025, o pessimismo tem vindo a diminuir, até aos actuais -6,9 pontos.

O curioso é que os dados do INE mostram uma trajectória em que, à medida que se aproximam as eleições, se verifica uma melhoria substancial de alguns indicadores e, consequentemente, do sentimento dos consumidores, embora o pessimismo permaneça.

Assim, a evolução positiva reflecte o contributo favorável de várias componentes do índice, com destaque para as expectativas sobre a situação financeira das famílias nos próximos 12 meses, que melhoraram de -- 6,8 pontos no primeiro trimestre deste ano para -2,4 pontos no segundo trimestre. Também a percepção das famílias sobre a evolução da economia nacional melhorou, passando de -4,2 para -2,0 pontos.

Já o indicador relativo à avaliação da situação financeira actual das familiares recuperou para -7,8 pontos, face aos -8,8 registados no trimestre anterior. Por outro lado, o índice diz que as famílias revelam-se menos preocupadas com o mercado de trabalho e com a evolução dos preços, com os consumidores a esperarem menos desemprego e um ritmo mais moderado de subida dos preços.

Quanto à percepção sobre a evolução do desemprego nos próximos 12 meses, o indicador caiu de 22,1 para 16,1 pontos, num cenário de expectativa que contrasta com a realidade registada precisamente no segundo trimestre, quando a taxa de desemprego aumentou 0,2 pontos percentuais para 21,3%. Já em relação às expectativas relativamente à inflação recuaram de 27,0 para 17,3 pontos.

Apesar da melhoria das expectativas, esta percepção não coincide com a realidade enfrentada por muitas famílias, sobretudo em Luanda. No levantamento de preços realizado pelo Expansão no mercado formal e informal, no final do segundo trimestre, vários consumidores afirmaram continuar a enfrentar as mesmas dificuldades, recorrendo às "sócias", e não esperam grandes melhorias no curto prazo. No que diz respeito ao... Leia o artigo integral na edição 894 do Expansão, sexta-feira, dia 18 de Setembro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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