"É crucial converter o actual clima de confiança em investimento efectivo de maior escala"
O Partner da DLA Piper, André Figueira, defendeu esta sexta-feira, em Luanda, que Angola precisa de transformar o actual clima de confiança económica em investimento estrangeiro efectivo de maior escala. A intervenção foi feita durante o VI Fórum Indústria do Expansão, onde o abordou o tema "O Papel das PPPs como Catalisador para a Redução de Custos e o Desenvolvimento Sustentável".
Segundo André Figueira, um dos principais desafios do país passa por converter o interesse demonstrado por investidores internacionais - como fundos de investimento, fundos de pensões e family offices - em projectos concretos com impacto na economia.
"O país já oferece um quadro macroeconómico, cambial e legal significativamente mais favorável. No entanto, isso só se traduz em desenvolvimento se os investidores privados estiverem dispostos a mobilizar capital próprio e a assumir uma parte real do risco dos projectos", afirmou.
O responsável alertou que a dependência excessiva de garantias soberanas ou de garantias bancárias pesadas pode acabar por onerar o Estado angolano, travando o dinamismo do investimento privado.
Entre os desafios apontados, o especialista destacou ainda a necessidade de acelerar os processos de decisão empresarial, reduzindo a incerteza operacional. Para tal, considera fundamental melhorar a previsibilidade regulatória e minimizar constrangimentos no sistema financeiro, nomeadamente atrasos em operações realizadas através de bancos comerciais.
Outro ponto sensível para investidores estrangeiros prende-se com a operacionalização cambial. Embora o quadro legal já permita a repatriação de capitais por via da banca comercial, persistem limitações ligadas à liquidez em moeda estrangeira e atrasos nas transferências internacionais.
"Reforçar as reservas cambiais e melhorar a gestão do sistema cambial é essencial para garantir maior fluidez nos pagamentos ao exterior", sublinhou, acrescentando que isso exige disciplina fiscal, gestão prudente das receitas petrolíferas e um esforço consistente para expandir as exportações não petrolíferas.
André Figueira defendeu ainda a importância de diversificar as fontes de investimento externo, reduzindo a concentração de risco geopolítico e a dependência excessiva de um único parceiro internacional.
Apesar dos desafios, reconheceu os avanços registados pelo país nos últimos anos. "Angola fez progressos assinaláveis na consolidação macroeconómica, na redução da inflação e na melhoria do ambiente de negócios", afirmou.
Contudo, advertiu que a próxima etapa passa por transformar essa estabilidade em investimento produtivo, promovendo uma diversificação efectiva da economia, maior capacidade institucional e um quadro de previsibilidade que permita sustentar o crescimento no longo prazo.











