Petróleo prolonga perdas com receios de excesso de oferta
Os preços do petróleo estão a recuar mais de 1% na manhã desta terça-feira e encaminham-se para a maior queda trimestral desde o início da pandemia de covid-19. A descida reflecte o alívio das preocupações em torno da circulação de crude através do estreito de Ormuz, à medida que os fluxos marítimos recuperam e aumentam as expectativas de uma retoma das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, apesar da escalada militar registada no último fim de semana.
Perto das 09h de Luanda, o Brent, referência para as exportações angolanas, desvaloriza 1,4%, para 72,1 USD por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, recua 1,1%, negociando nos 70 USD por barril.
A pressão sobre as cotações é reforçada pelas perspectivas de um eventual excesso de oferta no mercado mundial. O Morgan Stanley reviu em baixa as suas previsões para o preço do Brent no próximo trimestre, reduzindo-as em cerca de um sexto. O banco de investimento norte-americano considera que basta os fluxos de petróleo através do estreito de Ormuz recuperarem para cerca de 65% dos níveis registados antes do conflito para que o mercado volte a apresentar um excedente de oferta.
No plano geopolítico, persistem sinais contraditórios entre Washington e Teerão sobre a continuidade das negociações destinadas a pôr termo ao conflito. Os Estados Unidos indicaram que as conversações poderão ser retomadas esta terça-feira, em Doha. Em sentido contrário, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão anunciou, através de uma publicação na plataforma Telegram, que enviará ao Catar uma delegação técnica, mas rejeitou a possibilidade de realizar negociações diretas com Washington.
Apesar disso, Teerão mantém os planos para reforçar a supervisão do tráfego marítimo no estreito de Ormuz. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou, citado pela Bloomberg, que o país pretende alcançar um entendimento com Omã para coordenar o controlo da navegação naquela rota estratégica. Caso não seja possível chegar a um acordo, o Irão avançará unilateralmente com as medidas previstas.
Os dados mais recentes apontam, contudo, para uma normalização gradual da circulação marítima. Segundo o Morgan Stanley, na passada quinta-feira atravessaram o estreito de Ormuz 35 petroleiros e navios de transporte de gás. O tráfego voltou a abrandar durante o fim de semana, na sequência da intensificação das hostilidades e dos ataques iranianos a embarcações, mas recuperou desde então.
De acordo com dados da Kpler, citados pela Bloomberg, cerca de 24 navios de carga - entre petroleiros, navios de transporte de gás natural liquefeito e graneleiros - cruzaram o estreito nos dois sentidos durante a segunda-feira, uma tendência que se mantém na sessão desta terça-feira.











