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Economia

BNA demorou mas "enxuga" liquidez com aperto da política monetária para travar inflação

ÚLTIMA REUNIÃO DO COMITÉ DE POLÍTICA MONETÁRIA DO ANO

Com aumento das taxas directoras e do coeficiente de reserva obrigatória, acompanhado da eliminação da custódia, o banco central aperta a política monetária e retira liquidez da economia, tornando o crédito mais caro e escasso. A culpa é da desvalorização do Kwanza, que acompanhado pela diminuição dos subsídios à gasolina, provocaram uma escalada nos preços.

Depois três desapertos aproveitando a "boleia" da desaceleração da inflação que se verificou até Abril, o Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) voltou a apertar a política monetária para combater a trajetória crescente da taxa de inflação que se verifica desde Maio, que já furou duas metas do banco central este ano. Com este aperto, o BNA pretende retirar liquidez à economia, já que elevou as taxas de juros directoras que servem o mercado monetário interbancário. Este é o 11.º aperto da política monetária desde 2014, segundo cálculos do Expansão.

Assim, na a última reunião ordinária do CPM, o banco Central decidiu subir a taxa de juro directora (taxa BNA) para 18% face os 17% anteriormente definidos, bem como a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (operação através da qual os operadores comerciais recorrem ao banco central para obter crédito para financiar as suas actividades, ou seja, a taxa de juro que o BNA cobra aos bancos para lhes emprestar dinheiro) para 18,5%. E aumentou também a taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, que corresponde à taxa a que o banco central reembolsa os bancos por depositarem dinheiro no BNA, para 17,5%.

O BNA não determina as taxas de juro dos bancos comerciais, mas pode influenciá-las, precisamente, através da Taxa Básica, que serve de referência ao mercado interbancário, onde os bancos que têm excesso de liquidez emprestam dinheiro aos bancos que precisam de liquidez. Estas trocas de liquidez fazem-se a uma taxa de juro chamada LUIBOR (acrónimo inglês de Taxa Interbancária de Oferta de Fundos do Mercado de Luanda). Se a taxa básica serve de referência às taxas LUIBOR, estas servem de referência às taxas de juro de crédito a clientes. Quando as empresas e as famílias vão ao banco pedir dinheiro, ele cobra-lhes uma taxa LUIBOR, acrescida de uma margem, que depende do risco. Em termos práticos, por um lado, uma subida dos juros é um desincentivo à actividade económica já que torna os empréstimos mais caros e mais escassos. Mas por outro, quem poupa ganha.

O BNA não só apertou a política monetária por meio da subida da Taxa básica, mas tamém através aumento do coeficiente de reservas obrigatórias, que subiu para 18% em moeda nacional. Quanto maior o coeficiente de reservas obrigatórias, menos dinheiro os bancos podem emprestar aos agentes económicos. Com este aumento, os bancos passam a cobrar juros mais altos para não baixarem os lucros. Igualmente, o BNA eliminou a taxa de custódia sobre o excesso de reservas livres das instituições bancárias, depositadas no Banco Nacional de Angola. Assim, enxuga liquidez da economia com estes instrumentos da política monetária para estancar o aumento generalizado dos preços.

Tal como explica o economista Mateus Maquiadi, "o efeito líquido do aumento do coeficiente de reserva obrigatória em moeda nacional e ao mesmo tempo a eliminação da custódia vai ser certamente de drenagem de liquidez". "Como o coeficiente em moeda nacional aumentou, a liquidez na economia vai ser drenada, e presumo que o BNA vai soar as operações de mercado aberto com mais intensidade, pagando mais para absorver mais liquidez. Penso que o efeito prático vai ser a subida das taxas de juro do mercado monetário interbancário e depois as do crédito à economia, já que são indexantes", aponta.

A culpa é da desvalorização do Kwanza, que acompanhado com a diminuição dos subsídios à gasolina, em Junho, tiveram impacto sobre os preços, provocando uma aceleração da taxa de inflação.

"A decisão de aumentar as taxas de juro justifica-se pela trajectória crescente da inflação e pela perspectiva da mesma vir a comprometer o objectivo de uma taxa de inflação de um dígito no médio prazo", justificou o Governador do banco central, Manuel Tiago Dias, durante a conferência de imprensa do CPM, realizada esta semana em Luanda.

Leia o artigo integral na edição 752 do Expansão, de sexta-feira, dia 24 de Novembro de 2023, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)