ProPriv aposta últimas fichas na TAAG, Unitel, Endiama e afasta Sonangol
O Governo ditou, oficialmente, esta semana, o último episódio da série do Programa de Privatizações, iniciado em 2019 para diminuir o peso do Estado na economia. Foram alienados 119 activos (Expansão não contabiliza a Puma Energy) e, para já, 68 vão ficar pelo caminho.
O Programa de Privatizações (ProPriv) vai mesmo chegar ao fim em 2026, com o Governo a apontar à alienação de apenas 10 das 78 empresas que ainda estavam por privatizar. Unitel, Standard Bank Angola e Endiama são as que prometem agitar a bolsa naquele que é o ano derradeiro do programa, enquanto a TAAG deverá ser entregue por concurso público limitado por prévia qualificação. Entre as "jóias da coroa", a Sonangol precisa de mais tempo e é afastada do programa.
A exclusão da petrolífera deve- -se à necessidade de prosseguir o processo de preparação para a abertura de capital em bolsa, o que deverá levar mais tempo do que o limite definido para a conclusão das privatizações. A petrolífera junta-se a outros 67 activos, onde constam a TCUL, o Novo Aeroporto Internacional ou várias empresas do universo Sonangol, que desta forma vão manter-se na esfera jurídica do Estado "por razões de interesse público", justifica o decreto Presidencial n.º 36/26, que actualiza o programa (ver tabelas).
Além da TAAG, Unitel, Standard Bank e Endiama, o tabuleiro das empresas que vão a privatização leva à mesa dos investidores também a Angola Telecom, o Banco Comercial Angolano (BCA), a Nova Cimangola, a ZEE, o Grupo Medianova e a TV Zimbo. Algumas delas, advertem especialistas, enfrentam ainda hoje problemas que dificilmente deverão estar resolvidos a tempo de serem alienadas ainda este ano, até porque já estamos a entrar no terceiro mês do ano.
Ainda assim, o Governo parece estar confiante. "São esses os activos que a Comissão Interministerial do Programa de Privatizações irá focar para garantir que, dentro do ano de 2026, esses processos possam ser concluídos, assegurando assim a conclusão do Programa de Privatizações", afirmou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, no final da reunião da Comissão Nacional Interministerial para o Programa de Privatizações (CNI), realizada esta semana. Do lado dos activos cuja privatização levanta menos dúvidas, destaca-se a Unitel, que detém 73% da quota de mercado, com mais de 19,3 milhões de assinantes de telefonia móvel.
A empresa já está em fase de preparação para dispersar 15% do capital em bolsa até ao primeiro semestre de 2026, através de uma OPI (Oferta Pública Inicial). E já se sabe, quem controlar a Unitel, passa a controlar aquele que é o segundo maior banco em activos do sistema financeiro nacional, o BFA. A entrada da operada em bolsa já está prevista, há muito, para o I semestre, conforme já tinha afirmado, no final de 2025, Ottoniel dos Santos, à margem das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A concretizar-se a alienação da Unitel a um ano das eleições, esta alienação chega com mais de três anos de atraso. Isto porque, inicialmente, a ideia era privatizar a maior operadora de telefonia do País em 2023, um ano depois de o Estado ter assumido o controlo total da empresa, após nacionalizar as participações de 25% detidas pela Vidatel, de Isabel dos Santos, e pela Geni, do general Leopoldino do Nascimento "Dino".
O restante capital é detido pela Sonangol. Entretanto, não foi apenas a data que sofreu alterações. A dispersão de capital em bolsa exige maior transparência e uma auditoria financeira mais rigorosa, pelo que o modelo de alienação também mudou: em 2023 previa-se a privatização total da empresa por concurso público internacional.
Ainda assim, a venda de 15% em bolsa é considerada uma oportunidade relevante, por se tratar de uma empresa com histórico e reputação consolidados num sector - o das telecomunicações - que se afirma como uma das principais bases das transformações económicas e sociais em todo o mundo. Outra operação com potencial impacto na bolsa é a alienação de 49% detidos pelo Estado no Standard Bank Angola, o banco que registou o terceiro maior lucro em 2025...











