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Gestão

O Lado Invisível da Transformação Bancária

CAPITAL HUMANO

As instituições que alcançam melhores resultados distinguem-se não apenas pela tecnologia que adoptam, mas também pela clareza dos seus objectivos, pelo envolvimento da liderança e pela disciplina na execução.

O sector bancário atravessa uma das mais profundas transformações da sua história. Impulsionada pela evolução tecnológica, acelerada pela pandemia da COVID-19 e reforçada pela crescente exigência dos clientes, esta mudança está a redefinir os modelos de negócio das instituições financeiras, as suas prioridades estratégicas e a forma como criam valor.

Actualmente, os clientes valorizam uma relação cada vez mais fluida com os seus bancos, assente em serviços acessíveis, convenientes e disponíveis a qualquer momento e em qualquer lugar. Simultaneamente, os bancos enfrentam uma pressão crescente para inovar, aumentar a eficiência operacional e responder a exigências regulatórias cada vez mais complexas.

Neste contexto, a transformação deixou de ser um conjunto de iniciativas pontuais para se afirmar como uma capacidade organizacional contínua, essencial à competitividade, à agilidade e à sustentabilidade das instituições. Quando se fala de transformação bancária, a atenção tende a concentrar-se nos seus resultados mais visíveis: novos canais digitais, serviços mais acessíveis, processos mais ágeis ou tecnologias emergentes, como a inteligência artificial. Contudo, por detrás destas iniciativas existe uma dimensão menos visível, mas determinante para o seu sucesso: a capacidade de traduzir a visão estratégica em execução consistente.

Esta realidade é evidenciada pelo estudo da KPMG, Banking Transformation: The New Agenda - How leading banks are driving successful operational and cost transformation, publicado em 2025. Realizado junto de 228 líderes do sector bancário a nível global, o estudo revela que apenas 18% das instituições consideram ter alcançado com elevado sucesso os seus objectivos de transformação, enquanto apenas 40% dos inquiridos afirmam sentir-se devidamente preparados para liderar iniciativas de mudança.

Apesar dos investimentos significativos realizados pelo sector financeiro em todo o mundo, estes resultados demonstram que a transformação de organizações de grande dimensão continua a representar um desafio considerável.

O sucesso não depende apenas da adopção de novas tecnologias; requer uma visão clara, uma liderança comprometida, alinhamento organizacional sólido e disciplina na execução. Implica igualmente a coordenação de múltiplas iniciativas em simultâneo, desde programas de natureza tecnológica e regulatória até projectos de optimização operacional e melhoria da experiência do cliente, assegurando a gestão eficaz de interdependências, riscos e prioridades num contexto de mudança permanente.

Em última análise, torna-se essencial um modelo de gestão robusto, capaz de converter a ambição estratégica em valor tangível. É neste contexto que assume particular relevância a existência de estruturas de governação focadas na concepção, coordenação e acompanhamento integrado dos programas estratégicos de transformação. Mais do que assegurar a execução de iniciativas individuais, importa garantir que todas contribuem para objectivos estratégicos comuns, promovendo a utilização eficiente dos recursos, a transparência na tomada de decisão e a concretização dos benefícios esperados. As conclusões do estudo da KPMG apontam precisamente nesta direcção.

As instituições que alcançam melhores resultados distinguem-se não apenas pela tecnologia que adoptam, mas também pela clareza dos seus objectivos, pelo alinhamento entre as diferentes áreas da organização, pelo envolvimento da liderança e pela disciplina na execução.

A transformação não é um destino, mas uma competência que as instituições precisam de desenvolver continuamente. Num sector onde a tecnologia se dissemina rapidamente e a inovação se torna cada vez mais acessível, a verdadeira diferenciação deixará de residir apenas nas soluções adoptadas, mas na capacidade de transformar decisões estratégicas em resultados mensuráveis, reduzindo o tempo entre a identificação de uma necessidade, a tomada de decisão e a sua materialização.

Em Angola, a experiência da KPMG no acompanhamento de programas estratégicos em instituições financeiras confirma que é nesse lado invisível da transformação, sustentado por uma visão estratégica consistente, uma liderança comprometida, uma governação eficaz e uma execução disciplinada, que se constroem a resiliência, a competitividade e a capacidade de converter ambição em resultados duradouros.

*Ana Bungo, Manager de Advisory da KPMG Angola

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