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Gestão

A coragem de acreditar | Lideranças que despertam potencial e geram mudança

CAPITAL HUMANO

A verdadeira liderança não se limita a definir metas, distribuir tarefas ou acompanhar resultados. A sua missão mais nobre consiste em reconhecer potencial onde outros veem apenas funções, despertar capacidades adormecidas e criar condições para que as pessoas alcancem versões mais completas de si mesmas.

Nas organizações contemporâneas, fala-se com frequência sobre inovação, transformação, desempenho e competitividade. Multiplicam-se metodologias, indicadores e programas destinados a melhorar resultados. Contudo, por detrás de qualquer conquista sustentável existe um fator decisivo que não pode ser automatizado nem substituído por tecnologia: a capacidade humana de crescer quando encontra um ambiente de confiança.

A verdadeira liderança não se limita a definir metas, distribuir tarefas ou acompanhar resultados. A sua missão mais nobre consiste em reconhecer potencial onde outros veem apenas funções, despertar capacidades adormecidas e criar condições para que as pessoas alcancem versões mais completas de si mesmas. A história de Maria Sebastião ilustra esta realidade com particular clareza.

Durante vários anos, Maria desempenhou fun ções técnicas numa organização de grande dimensão. Era reconhecida pelos colegas como uma profissional disciplinada, responsável e consistente. Entregava resultados dentro dos prazos, mantinha elevados padrões de qualidade e demonstrava profundo conhecimento dos processos sob sua responsabilidade. Ainda assim, permanecia quase invisível quando surgiam discussões sobre futuras lideranças ou oportunidades de progressão.

Quem observasse atentamente o seu trabalho perceberia algo que os relatórios de desempenho não conseguiam traduzir por completo. Maria possuía uma capacidade analítica acima da média. Conseguia identificar relações entre acontecimentos aparentemente desconectados, antecipar riscos e encontrar soluções para problemas complexos com uma rapidez impressionante.

Em reuniões desafiadoras, muitas vezes era ela quem compreendia primeiro a origem das dificuldades. Além disso, possuía uma visão estratégica rara. Conseguia interpretar tendências, compreender impactos de longo prazo e formular caminhos alternativos para alcançar objetivos organizacionais. No entanto, raramente verbalizava essas percepções

A discrição que a caracterizava era frequentemente confundida com ausência de ambição. O seu silêncio era interpretado como falta de interesse em assumir maiores responsabilidades. Na realidade, Maria observava, refletia e construía análises profundas antes de expressar qualquer opinião. Preferia contribuir através da consistência do trabalho diário em vez de procurar protagonismo.

Como acontece com muitos talentos nas organizações, as suas competências eram evidentes para quem trabalhava próximo dela, mas nem sempre eram percebidas pelos decisores. O que lhe faltava não era competência. Também não lhe faltava dedicação, inteligência ou compromisso. O que lhe faltava era alguém que acreditasse nela e lhe desse espaço para crescer. Faltava uma liderança capaz de enxergar para além da função que ocupava e reconhecer o potencial que permanecia parcialmente oculto.

Essa oportunidade surgiu quando um novo diretor assumiu a área. Nos primeiros meses, dedicou tempo a compreender as pessoas, os desafios e as dinâmicas existentes. Em vez de avaliar apenas resultados quantitativos, procurou identificar talentos, motivações e possibilidades de desenvolvimento. Foi nesse processo que reparou em Maria. Não apenas pelo rigor técnico do seu trabalho, mas pela qualidade das perguntas que fazia, pela profundidade das suas análises e pela forma como conseguia resolver situações...

*PAULA DE PAULA, Formadora | Analista Comportamental e de Carreira

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